Edição de Sexta-Feira, 11 de Janeiro de 2002
 

Início Diario de Pernambuco Opinião

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Assinaturas e Renovações
 
Expediente
 
Edições Anteriores do Diario de Pernambuco




Opinião

Jogo limpo

O torcedor aguarda, desconfiado, o início da temporada de futebol. No próximo final de semana, os principais clubes brasileiros estarão em campo para disputar as copas regionais, ponto de partida do calendário quadrienal esboçado em 2001.
  Depois de duas comissões parlamentares de inquérito e uma enxurrada de escândalos envolvendo a “elite” da cartolagem nacional, o mínimo que se espera é o cumprimento das regras do jogo. O país do futebol não suporta mais a convivência com falcatruas engendradas por indivíduos que só pensam em engordar suas contas no exterior.
  Ninguém foi para a cadeia (ainda), mas o trabalho das CPIs rende frutos. Da noite para o dia, como se a crise econômica tivesse nascido com o colapso da Argentina, os dirigentes dos grandes clubes decidiram rever seus conceitos de gestão. Nada de salários astronômicos e contratações milionárias. Gastar mais do que se arrecada? Nem pensar.
  Longe de ser nova cultura empresarial invadindo as mentes de nossos cartolas, a mudança dos ventos tem explicação bem mais pragmática. Simplesmente, foi revelada a mágica que permitia negociações mirabolantes e produzia um paradoxo: dirigentes com os bolsos cheios, clubes na penúria. O “mercado informal” do futebol brasileiro, com portas escancaradas para sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e contratos de gaveta, agora está sob a mira do Ministério Público e dos órgãos fiscalizadores do Estado.
  A final do último Campeonato Brasileiro, entre Atlético-PR e São Caetano, é exemplar. Dois clubes médios, sem jogadores caros, mas com salários em dia, praticaram o melhor futebol do país em 2001. Do outro lado da moeda, equipes da tradição de Flamengo e Vasco, repletas de craques caros, não conseguiram honrar suas contas, nem cobrar bom desempenho de seus medalhões.
  Para que o futebol brasileiro sofra realmente uma revolução de costumes, transparência administrativa e calendário racional são palavras-chave. A bola precisa rolar nos gramados livre de conchavos que alteram tabelas, consagram viradas de mesas e premiam a corrupção.
  Se, num primeiro momento, o freio de arrumação provocar a falência de clubes desorganizados e o recrudescimento do êxodo de jogadores para a Europa, paciência. Mais à frente, o resultado virá, com a inserção do Brasil na verdadeira indústria do futebol, em que patrocinadores investem pesado, mas exigem competência.
  Vivemos ano de Copa do Mundo. O torcedor jamais esquecerá que o desmando dos dirigentes quase provocou inédita eliminação da Seleção Brasileira. E não tem muitos motivos para confiar numa boa exibição em campos coreanos e japoneses. Ele exige, porém, que o pontapé inicial da moralização se transforme em gol de placa.








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br