Dica é aproveitar o passeio para conhecer as inúmeras curiosidades das ruínas, igrejas e formações
Além de mergulhar nas belezas naturais, o turista pode sair do Cabo de Santo Agostinho com seus conhecimentos de História e de Geografia ampliados. E sem precisar sentar na banca de uma escola ou participar de seminários ou palestras. As aulas são a céu aberto, a começar pelo local que emprestou o nome a cidade. Segundo pesquisadores, o Cabo de Santo Agostinho funcionou como uma espécie de dobradiça continental.
"Aqui teria sido o último ponto das Américas a se separar da África há cerca de cem milhões de anos", explicou o especialista em turismo ecológico Célio Muniz. Os estudiosos apontam entre as evidências da teoria as formações rochosas da Nigéria e do Gabão, semelhantes à do Cabo. A separação, completou, teria começado na Patagônia - extremo da América do Sul - e continua a uma velocidade de, aproximadamente, cinco centímetros por ano.
pedras - Como souvenir do longínquo passado geológico, sugere Célio Muniz, os visitantes podem levar as limonitas - pequenas pedras escuras com alto teor de ferro eabundantes na região. "A concentração é tão grande que elas são atraídas por um ímã", assegura.
Tais curiosidades ficam a poucos metros da Vila de Nazaré. À distância, menos de um quilômetro, é possível ver o velho farol, onde a única faroleira do Brasil, dona Margarida, trabalhou. Hoje, o equipamento é automático. Também se pode ver a cúpula da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, do século XVI, que embora seja católica guarda os traços de construção protestante. "O templo foi erguido pelos holandeses, de religião luterana, e depois tomado pelos portugueses", justifica o guia de turismo Everton dos Santos.
Os detalhes da construção se misturam às ruínas do antigo Convento Carmelita, construção de 1692 a 1731, do qual ainda se encontra a pia batismal dos pobres. Em torno da Igreja, ainda são perceptíveis vestígios de alicerces antigos ao lado de construções recentes. Em meio ao cenário histórico, o visitante pode se deparar com o que restou do Forte Castelo do Mar (1631) - no extremo sul do cabo e com visão completa da Baía de Suape. Próximo a ele, encontra-se a Bateria de São Jorge, erguida em 1632 para dar apoio às tropas que por ventura lutassem no forte.