(Atualizado no dia 02/01/2002)
 
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Saúde

Hiperatividade também é mal de gente grande

Transtorno acomete adultos, mas às vezes é confundido com falta de educação ou desvio de personalidade

Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO

Você é do tipo inquieto, tem dificuldade de concentração e de finalizar tarefas no trabalho, dispõe de péssima memória, é impulsivo, criador de caso e impaciente com situações e pessoas? Esse perfil lhe caracteriza como um sério suspeito de ser portador do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O problema, que afeta entre 3% e 5% das crianças em idade escolar, se prolonga também pela vida adulta em até 60% dos casos.

  O distúrbio não tem cura, mas pode ser tratado e controlado através de medicação associada à psicoterapia. "Porém, somente um especialista tem condições de fazer o diagnóstico", lembra a professora de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, Kátia Petribú. Segundo a médica, o TDAH é um transtorno que se exterioriza na infância e o diagnóstico dos seus sintomas residuais na idade adulta inclui a investigação de sua ocorrência desde antes dos sete anos.

  Confusão - A especialista chama a atenção para a importância da correta avaliação dos sinais do TDAH. Crianças e adolescentes hiperativos e impulsivos normalmente são barulhentos, inconvenientes e vistos como insubordinados pelos professores. Entretanto, nem todos os que apresentam algumas dessas características ou outras isoladamente podem ser definidos como portadores do transtorno. O mau comportamento pode estar vinculado a traços do próprio caráter, à falta de educação doméstica, assim como os problemas de aprendizado escolar - comuns em alunos com TDAH - podem estar relacionados a fatores como déficit de inteligência, dificuldades auditivas ou visuais.

  O TDAH pode ser classificado com três sintomatologias básicas: a primeira enfatiza a forma predominantemente desatenta, ou seja, a pessoa pode ser mais distraída do que hiperativa. Na segunda, a predominância é da hiperatividade. No terceiro caso, a forma do transtorno é mista. "Os sintomas se atenuam na idade adulta e, em geral, a hiperatividade reduz. As mulheres tendem a ficar mais desatentas e deprimidas e os homens apresentam mais a forma mista e hiperativa do transtorno, com distúrbio de conduta", adianta Kátia Petribú, que escreveu um trabalho com relato de casos de TDAH em adultos.

  A causa do TDAH (que é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) não como doença, mas como um transtorno psiquiátrico ou neuropsiquiátrico) já é tida como hereditária. "Ela é fortemente influenciada pelos genes, não há mais qualquer dúvida a este respeito", diz o vice-presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) e professor adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Mattos. Segundo o médico, a incidência de pais com TDAH é quase dez vezes maior quando se examinam crianças portadoras do transtorno, comparadas as que não apresentam o problema.

DROGAS - Uma das maiores preocupações dos especialistas, é o uso de drogas - especialmente por parte dos homens - que buscam uma válvula de escape para o problema. Essa propensão ao uso de entorpecentes ocorre mesmo entre portadores do transtorno que não têm um comprometimentofuncional muito severo. Nas pessoas com TDAH predomina um sentimento de sobrecarga, acompanhado de astenia (fraqueza, cansaço), irritabilidade e angústia, como conseqüência do esforço despendido para dar conta das atividades habituais diárias, que seriam naturais para outros indivíduos.

  Esse conjunto de fatores deixa o paciente mais propenso ao uso de drogas, como a cocaína, álcool e maconha. "No primeiro caso, é curioso: a cocaína age de modo semelhante ao principal medicamento para tratar o TDAH. Talvez o indivíduo tente se automedicar no início, porém, a droga vicia, traz outras conseqüências e ele perde o controle da situação, o que não acontece com o medicamento", explica Mattos. Segundo o psiquiatra, alguns portadores do transtorno utilizam o álcool e a maconha como sedativos, para controlar a ansiedade, que é mais alta em quem tem TDAH.

  No caso de portadores de TDAH casados, uma queixa freqüente do cônjuge é que ele (ou ela) se mostra impaciente e inquieto até durante o ato sexual. O adulto hiperativo-impulsivo fica incapacitado de esperar ou demorar em qualquer situação. Por vezes, também, a necessidade de buscar continuamente novidades (um traço característico do TDAH) faz com que uma relação de rotina, como a do casamento, deixe de ser agradável. A hiperatividade pode assumir ainda a forma de uma hiper-sensibilidade e hiper-reatividade afetivas, capazes de gerar um medo da intimidade, comprometendo, desta forma, a vida sexual do casal.

Serviço

Ambulatórios de Psiquiatria

Hospital das Clínicas/UFPE - 3454.3633

Hospital Universitário Osvaldo Cruz/UPE - 3413.1300


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