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Entidade em disputa por verbas ajuda Sabará
Eduardo Sol DA EQUIPE DO DIARIO
Com problemas financeiros e vivendo da ajuda de amigos, o ex-meio campista do Náutico, Carlos Leandro da Silva, o Sabará, de 49 anos, acabou entrando - sem perceber - na confusão entre a Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Sindicato dos Jogadores Profissionais e Associação de Garantia aos Atletas Profissionais (Agap-PE).
As três entidades brigam pela verba destinada ao apoio de atletas profissionais. De acordo com a legislação, 1% da arrecadação de cada jogo de futebol no Estado tem de ser destinado pela Federação de Futebol à Federação das Associações de Atletas Profissionais (Faap). O mesmo percentual é aplicado nas transferências de jogadores e nos contratos registrados. Desse dinheiro, 80% devem retornar aos Estados, onde as Agaps têm a responsabilidade de dar asssistência e promover cursos que ajudem atletas e ex-atletas em dificuldades. Como envolve dinheiro, a briga é feita (veja mais informações na reportagem ao lado). O presidente do Sindicato, José Vladmirda Silva, o Miro, chegou a afirmar publicamente que a Agap "não existe".
Sabará está sendo ajudado pela Agap-PE a montar um bar (Recanto do Caranguejo), no segundo pavimento da casa onde vive, na rua Elisa Cabral, em Camarajibe, Grande Recife. O aluguel - R$ 200 - cobrados pelo proprietário do imóvel são rachados pela Agap e amigos do ex-jogador. A Agap está dando também o estoque (as bebidas) para que o jogador inicie sua nova atividade. "Não tive orientação enquanto jogava futebol, e não soube guardar dinheiro", disse.
A história de Sabará é idêntica à de tantos outros, que, vislumbrados com o mundo da bola, acabam ficando sem nada quando param. Nascido no Recife, em Casa Amarela, Sabará começou em Camarajibe, onde foi descoberto pelo Náutico. Jogou no alvirrubro entre 1973 e 1975, e de lá iniciou sua peregrinação por pequenos e modestos times.
Além do Náutico, ele jogou no Íbis, Central de Caruaru, Confiança (SE), Paraisense (MG), Treze de Campina Grande (PB), Maranhão Atlético Clube, Ferroviário eBacabau (todos do Maranhão), Andeara (SP) e Piauí Esporte Clube (PI), onde encerrou a carreira, em 1991. Desde então, vem pedindo favores para viver e, vez ou outra, agencia jogadores em final de carreira para clubes pequenos do Nordeste.
A ajuda pode ser generosa, mas a Agap sabe que precisa mostrar na Justiça que existe, para não perder a verba destinada pela Faap - seu presidente, o ex-jogador Walter Constâncio (ex-Náutico e Vasco da Gama) apresentou vários certificados de participação em eventos promovidos pelo Governo do Estado e Polícia Militar, mas faltava ações concretas.
"Mesmo sem recursos, temos de ajudar ex-atletas que acabam nessa situação", disse Constâncio. Ele não soube, porém, dar outros exemplos de jogadores ajudados pela entidade. À margem de tudo, Sabará sorri: seu bar foi inaugurado ontem e ele pode novamente sonhar. "O problema agora é driblar os clientes que quiserem pendurar a conta", brincou.
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