Legislação obriga a contratação, aumentando a demanda por profissionais qualificados
Eduardo Sol
Da equipe do DIARIO
O Brasil é um dos campeões mundiais de acidentes no trabalho. Os dados mais recentes da Previdência Social, de 1999, mostram que houve naquele ano 378.365 acidentes no País, resultando em três mil mortes. Normas dos ministérios da Saúde e do Trabalho e Emprego exigem que algumas empresas tenham técnicos de segurança do trabalho. A quantidade de técnicos varia de setor para setor, de acordo com uma classificação atribuída pelo Ministério do Trabalho - do nível um ao quatro. Uma empresa de risco três (alto) com mais de quinhentos funcionários, por exemplo, deve ter por lei três técnicos e um engenheiro especializado em segurança do trabalho.
O mais antigo Curso Técnico em Segurança do Trabalho no Brasil é o do Centro Federal de Educação Tecnológico de Pernambuco (CEFET-PE), existente desde 1975. O curso já formou mais de 2.500 profissionais - em média cem por ano. De acordo com o coordenador do curso, João Luiz Gonzaga, trata-se de uma carreira em crescimento. Um técnico ganha em média R$ 800,00, mas, segundo ele, pode ganhar bem mais que isso, dependendo da empresa em que trabalha. "No momento, o mercado está um pouco cheio, mas isso muda freqüentemente, e sempre há vagas", disse.
Para Gonzaga, segurança no trabalho não deve ser apenas uma obrigação para técnicos. "É uma questão de cultura e deve partir de cada trabalhador", afirma. Ele acredita que as empresas vêm mudando, mas, infelizmente, ainda há algumas que consideram segurança um custo a ser repassado. Para Gonzaga, as empresas devem considerar que segurança é um investimento. "Não é apenas distribuir capacetes; é bem mais que isso, pois envolve saúde do trabalhador e aumento de produtividade.
O curso no CEFET-PE é gratuito e é necessário fazer provas como em um vestibular normal. O edital com a convocação das provas deve saiu no mês passado, depois que acabou a greve dos servidores públicos federais. O curso tem duração de um ano e meio e é necessário que o candidato tenha pelo menos o segundo grau completo. O coordenador do curso no CEFET-PE diz que nos últimos anos o perfil dos alunos tem mudado bastante. "Quando fiz o curso, em 1975, éramos só homens e, hoje, as mulheres já são a maioria em nossas turmas", situa.
OPORTUNIDADES - É o que prova a auxiliar administrativa Ana Tenório, de 28 anos. Ela vem fazendo o curso de técnico em segurança do trabalho em uma instituição particular, a Escola Técnica Regional. "A empresa onde trabalho não tem técnicos nessa área, pois terceiriza tudo, então, pretendo conseguir uma vaga no setor", comenta. A empresa, segundo ela, estaria pagando metade do curso, o que a motiva ainda mais. "Quero ficar por lá, mas em uma área mais valorizada e que melhore minha vida", afirmou.
A Escola Técnica Regional existe há cinco anos e alguns professores do CEFET-PE também dão aulas lá. Não há vestibular e o curso, que dura 16 meses, custa R$ 120,00 por mês. A escola tem, em média, 150 alunos, divididos em três turmas. Já a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) oferece um curso de especialização em engenharia de segurança dotrabalho (pós-graduação lato sensu). O curso dura um ano e meio e custa R$ 240,00 mensais.
Serviço
CEFET/PE - (81) 3454.1773
Escola Técnica RegionaL - (81) 3221.6324
UFPE - pós-graduação - (81) 3271.8148