RIO - De acordo com o Ministério da Saúde, mais de seis mil pessoas morrem todo ano por afogamento no Brasil, o que corresponde a 18 casos por dia. O número, igual ao de suicídios e o equivalente a 17% dos homicídios, situa este tipo de óbito entre as principais causas externas de mortalidade no País.
Apesar de esconder em suas águas um perigo mortal, o Brasil, com um litoral extenso e uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, não conta com uma política pública para conter a elevada taxa de afogamentos. Os acidentes na água atingem principalmente homens, dos 15 aos 39 anos, mas não poupam a primeira infância.
Depois dos acidentes de carro, os afogamentos são a principal causa de morte de crianças de até quatro anos (20% do total). Em muitos casos, uma pequena distração pode ser fatal. Os lugares com os maiores índices de afogamentos ficam no interior. As pessoas morrem em rios, represas, lagoas e cachoeiras.
"Quando o tema é afogamento, pensamos em praia. Mas o grau de risco no litoral é bem menor, pois a pessoa passa pouco tempo dentro da água. Já a população ribeirinha está exposta 24 horas por dia ao risco, o ano todo", observa o sociólogo Gláucio Ary Soares, professor da Universidade da Flórida e do Iuperj, que estuda o assunto.
Ele acrescenta que o tempo e o grau de exposição da pessoa ao perigo são fundamentais. Com isso, quem vive em palafitas, se banha e usa os rios como banheiro, se expõe muito mais ao perigo do que quem mora nas cidades do litoral, mas raramente vai à praia. Um exemplo é o município de Registro, no Vale da Ribeira, SP, que não é banhado pelo mar, mas tem a maior incidência de mortes por afogamento. Quase o dobro de Santos, no litoral.