Estelionatário fingiu ser filho de dono de companhia aérea e enganou ricos e famosos durante Recifolia
Jan Theophilo
no.com
Durante três dias, o gaúcho Juliano de Souza, 32 anos, levou uma vida que, para ele, só existia em capas de revistas. Na falsa pele de Henrique Constantino, "filho do dono" da Gol Linhas Aéreas, ele circulou pelo Recifolia, no mês passado, como um dos patrocinadores do camarote Flying Horse, um dos mais badalados do carnaval fora de época recifense. Juliano sambou junto a ricaços como João Paulo Diniz e Álvaro Garnero, paquerou modelos contratadas para embelezar a festa, tendo a companhia de galãs globais como Ricardo Macchi e Cristiano Rangel, deu entrevistas para o programa Flash de Amaury Júnior e posou para fotos ao lado de modelos como Marinara e Feiticeira. Comeu do bom e do melhor, passeando pela cidade com escolta da PM.
O anfitrião atencioso era, na verdade, um estelionatário que faturou pelo menos R$ 100 mil em golpes. "Esse cara enganou a todos nós direitinho. Sei de outras pessoas que bancaram várias contas para ele. Mas todo mundo agora vai dizer que não caiu", conta Ricardo Macchi. "O que aconteceu é que esses artistas acharam que o cara era mesmo um milionário e abriram portas para ele, querendo obter vantagens", resume o inspetor de cartório Alexandre Estelita, que fez o registro de ocorrência da prisão de Juliano no Rio de Janeiro.
A primeira vítima do golpe foi o empresário Ed Sá Ferreira, responsável pela lista de convidados do camarote Flying Horse. Ele lembra que no dia 25 de outubro, Juliano apareceu em seu escritório, acompanhado por três seguranças, perguntando pelas camisetas para poder entrar no camarote. Identificou-se pelo sobrenome e com um crachá de piloto da Gol, que mais tarde a Polícia Federal descobriu ser falso.
Ed ligou para o escritório da Gol para checar se realmente haveria algum Henrique na família Constantino (dona da empresa). "Disseram que sim e que inclusive ele havia chegado naquele dia em um jatinho fretado. Depois ficaram de confirmar se ele ia ficar no Recife, como não ligaram mais presumi que era ele mesmo". O golpista, garantia, assim, seu passaporte parao paraíso. Usou e abusou de todos os símbolos de status das celebridades: era a única pessoa que circulava pelo camarote escoltado por dois guarda-costas, falava compulsivamente no telefone celular e considerava jatinhos particulares tão desfrutáveis como táxis.
Comentário dos leitores:
"É muito engraçado, para não usar outro adjetivo, enquanto
as polícias (duas) deixam a população nas maõs dos bandidos, colocam escolta para um bandido, por esse ter cara de rico. É essa a nossa segurança publica!" Luiz Teotony do Wally, por e-mail.
"Isso é um absurdo! Aonde nós vamos parar! Essa experiência é para ver que as pessoas são muito ingênuas e acreditem nas conversas de pessoas que acabaram de conhecer... só por puro interesse. Como castigo estão cheias de dívidas." Elinora Lima, por e-mail.