Distúrbios do sono atingem 35% da população mundial e são responsáveis por acidentes e baixo rendimento
Eduardo Sol
Da equipe do DIARIO
Para algumas pessoas, sentir o corpo relaxar e dormir é uma das melhores coisas da vida. Outras, porém, acham isso um martírio: são os indivíduos que sofrem de distúrbios do sono, que, de acordo com diversos estudos, pode chegar a cerca de 35% da população mundial. No Brasil, segundo dados da Associação de Psiquiatria Americana, mais de 35 milhões de pessoas sofrem de insônia, o distúrbio mais comum - 80% dessas, freqüentemente. As mulheres são as mais afetadas pelo problema.
Os distúrbios do sono são encarados como um problema sério. Por causa deles, por exemplo, acontecem vários acidentes de trabalho e, principalmente, de trânsito. O Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa está, inclusive, mapeando os acidentes causados por sonolência ao volante e os prejuízos que isso causa para o País. A rede pública de saúde (SUS) trata esse tipo de problema, assim como os planos de saúde.
Também existem clínicas particulares especializadas em doenças do sono. O pneumologista Murilo Guimarães, diretor da Clínica Torax, no Recife, explica que a insônia tem muitas causas. "Pode ter motivos fisiológicos, como problemas na glândula tireóide, por exemplo, mas na grande maioria dos casos são derivados de problemas psicológicos", diz.
A importância da saúde mental para uma boa noite de sono é direta. A psiquiatra e psicoterapeuta Dilze Feitosa cita, como problemas dessa origem que podem acarretar insônia, a depressão, a ansiedade, o quadro psicótico e a anorexia nervosa. Segundo ela, o diagnóstico e o tratamento dependem muito de cada caso, mas há ocasiões em que problemas de ordem psicológica e físicos se misturam. "A pessoa pode sofrer de apnéia, que é um problema respiratório, e, pelo fato de não conseguir dormir, desenvolver uma depressão ou um quadro de ansiedade", afirma.
ANSIEDADE - A professora de história Tatiane Trigueiro é um exemplo de que fatores psicológicos são sim capazes de tirar o sono de qualquer um. Ela dá aulas no Colégio Aplicação, ligado à Universidade Federal de Pernambuco, que está em greve há meses, juntamente com os servidores federais. O governo já ameaçou várias vezes suspender os salários dos grevistas, o que tirou o sono de Tatiane.
"Eu me deitava, mas não conseguia relaxar e dormir, pois ficava pensando nas dívidas que eu tinha e na possibilidade de não ter dinheiro para quitá-las", desabafa. A situação durou várias noites e muitas vezes a professora varava madrugadas acordada. Ela conseguiu melhorar o sono com técnica pessoal. "Passei a tomar um banho antes de me deitar e ler um livro ou um revista leves, para me dar sono", diz ela, garantindo que a técnica tem funcionado.
Outro fator influente é a higiene do sono, ou seja, a qualidade do ambiente em que a pessoa está dormindo, se há barulhos, presença de mosquitos ou se o local é muito quente ou frio, por exemplo. Tudo isso pode fazer com que o indivíduo não durma um sono constante, não cumprindo os estágios obrigatórios de um sono, principalmente os mais importantes: o sono profundo e o sono REM (movimento rápido dos olhos, em inglês). Deacordo com Murilo Guimarães, o sono profundo é responsável pelo descanso físico, enquanto o REM é o estágio em que a mente é realimentada, acontecendo o sonho.
PROCEDIMENTOS - É necessário fazer uma série de exames, antes que um diagnóstico preciso seja feito. Para isso, o paciente deve dormir na clínica, sendo observado durante o sono - o que é chamado de polissonografia. A pessoa é filmada durante a noite, na tentativa de observar se algum comportamento noturno está alterando a qualidade de seu sono.
Não é apenas quem tem problemas sérios para dormir, porém, que deve procurar cuidados médicos. O jornalista Ângelo Castelo Branco é um exemplo. "Tenho o sono muito leve e acordava com qualquer barulho, tendo que me levantar muitas vezes durante a noite", conta. Ele diz que se sentia cansado no dia seguinte. Castelo Branco fez uma polissonografia e foi constatado que tinha um problema nasal. "Tenho um desvio de septo, o que impede que a respiração aconteça normalmente", afirma.
A solução foi o Ctap, utilizado em diversos tratamentos ligados a distúrbios do sono e respiratórios. O aparelho injeta ar nas narinas, fazendo com que não aconteçam obstruções. "Não uso todos os dias, apenas quando preciso descansar profundamente", diz. O Ctap, no entanto, é um aparelho caro, cerca de R$ 2 mil, e também pode ser alugado.
Serviço
Clínica Tórax - (81) 3231.6013
Dilze Feitosa - (81) 3446.6996 e
(81) 9978.8746