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Política

PT quer conduzir o jogo da oposição

Petistas têm pressa para fechar palanque estadual com Humberto Costa candidato a governador e pressionam partidos aliados, principalmente o PSB de Arraes, a colocar suas cartas na mesa

Cláudia Eloi
DA EQUIPE DO DIÁRIO

O PT mudou de estratégia e está tentando assumir o comando da oposição ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) na eleição de 2002. Nos últimos dias, intensificou as articulações para formação de uma chapa com os demais partidos de esquerda. Começou a pressionar os aliados, principalmente o PSB de Miguel Arraes, para que estes mudem de estratégia e tratem logo da composição do palanque. Os socialistas têm tentado adiar as costuras da chapa. Mas os petistas têm pressa. Querem avançar na consolidação do nome do secretário de Saúde do Recife, Humberto Costa (PT), como candidato a governador.

  Numa mesma semana os petistas fizeram um acordo com o senador Carlos Wilson (PTB) para concorrer à reeleição e convidaram o deputado estadual José Queiroz (PDT) para a outra vaga do Senado. Os dois disputariam o pleito em 2002 ao lado de Humberto Costa (PT). A articulaçãoo de uma chapa agora pode ser traduzida como uma forma de pressão para que os partidos aliados coloquem as cartas na mesa e não protelem a discussão do processo eleitoral.

  Na avaliação do cientista político Robinson Cavalcanti, a movimentação do PT no sentido de ampliar as alianças, desde que eles mantenham a condução do processo sucessório, tem se repetido em todo o País. Para a cúpula petista, a definição de nomes um ano antes da eleição pode trazer dividendos, uma vez que haveria mais tempo para traçar o rumo da campanha e para consolidar o nome de seus candidatos diante do eleitor.

"O PT saiu de uma política de isolamento. Eles perceberam que se tivesse incluído Ulisses Guimarães no palanque nacional, em 1989, teriam vencido a eleição presidencial. O problema é que os políticos mais conservadores do partido dificultam esse alinhamento", afirmou.

  Por ter se consolidado como um partido de grande dimensão no País e peso político respeitável após a última eleição, os fatos revelam que os petistas só aceitam cargos secundários quando estão numa situação de inferioridade. "Foi assim em Alagoas. O PT compôs com o PSB como a segunda maior força e depoisrompe. Para o PT é importante definir as escolhas agora enquanto outros partidos prefererm estendê-lo para mais adiante", afirmou Cavalcanti.

  A insistência dos partidos em não ceder a cabeça de chapa tem como principal responsável a eleição presidencial. "Os partidos ficam obrigados a ter um palanque próprio para seu candidato subir. Para preservar sua liderança eles não vão transigir para que outros tomem esse lugar", comentou o cientista política Michel Zaidan.

FASES - Para Zaidan, a melhor solução seria cada partido manter sua candidatura na primeira fase da campanha e o mais votado receber o apoio dos demais no segundo turno para derrotar o inimigo comum, o candidato da aliança PMDB/PFL/PSDB. "Essa história de se juntar e não discutir nomes é uma política hipócrita. Subestima a capacidade de entender o que se passa. Todo mundo já vai para os encontros armados com os nomes de seus candidatos e ninguém vai abrir mão disso", afirmou.

  Um dos grandes problemas da oposição é a resistência em ceder e abrir mão de seus candidatos. "É uma prática comum na esquerda em defender que vamos nos unir, desde que sob minha liderança. Isso atrapalha a unidade interna e atropela o crescimento. Todos querem ser cabeça dentro de um movimento só. Isso é um modelo remanescente da política leninista que precisa ser revisto". comentou.

  Zaidan fez uma previsão pessimista para a Frente de Esquerda se permanecer adotando a mesma tática. "Se continuar a brigar uns com os outros a derrota é certa. O ideal é cada um lançar suas propostas e seu candidato sem se agredir", afirmou.


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