Edição de Domingo, 25 de Novembro de 2001
 
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Aliança do Norte tem passado duvidoso

Anistia Internacional aponta atrocidades praticadas no Afeganistão quando Exército da então União Soviética invadiu o país

WASHINGTON - O relatório da Anistia Internacional sobre o Afeganistão foi impiedoso: violações contra civis "foram numerosas e incluíram estupro, execuções extrajudiciais e tortura, assim como longas detenções de prisioneiros de consciência". No atual contexto, seria fácil concluir que a milícia Talibã, conhecida por seu regime mão-de-ferro, foi a responsável. Na verdade, os comentários foram dirigidos ao regime da Aliança do Norte no Afeganistão de 1992 a 1996.

  Pela atual perspectiva dos Estados Unidos, os integrantes da Aliança do Norte são os "caras bons", o mesmo grupo que, com a grande ajuda dos bombardeios aéreos americanos, tomou o poder do Talibã na maior parte do país. Sem a Aliança do Norte, o Talibã provavelmente ainda estaria governando o país e a captura do suposto chefe terrorista Osama bin Laden estaria muito mais distante do que parece.

  Conceitos como regime da maioria e direitos das minorias não fazem parte da doutrina da Aliança do Norte ou de movimentos políticos em geral no Afeganistão. Nos dias de atual, o governo dos Estados Unidos e seus aliados europeus estão usando a pressão diplomática para convencer a Aliança do Norte a dividir o poder com outros grupos étnicos para que haja estabilidade no país. A alternativa, acreditam diplomatas, seria outro governo minoritário - e a continuação da guerra de guerrilha que tem provocado mortes, destruição e a separação de famílias.

  A atitude da Aliança do Norte perante um governo de amplas bases é no mínimo uma relutante aceitação. Depois de dias de queda-de-braço, o líder da aliança, Burhanuddin Rabbani, concordou em participar de uma conferência patrocinada pela ONU sobre a divisão do poder em Berlim nesta semana. Mas ele posteriormente afirmou que a conferência seria apenas "simbólica" e que as decisões substantivas sobre o futuro político do país têm de ser tomadas no Afeganistão, onde seu povo está dando as cartas.

  Informado sobre os comentários de Rabbani, o enviado da ONU para o Afeganistão, Lakhdar Brahimi, disse: "Não é isso queeles falaram para nós". O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, acredita que a situação esteja no caminho certo. Perguntado sobre sinais da intransigência da aliança, ele afirmou: "Não penso que seja algo para se dar importância. Parece que as coisas estão se movendo na direção do estabelecimento de um governo de amplas bases".


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