Chegada do Natal amplia oferta de vagas no mercado para vitrinistas, que chegam a faturar R$ 3 mil/mês
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Com a responsabilidade de atrair a atenção dos clientes o ano inteiro e com um tempo de vida relativamente curto (no máximo quinze dias), as vitrines acabam se transformando no grande diferencial das lojas na disputa pelo consumidor. Os profissionais responsáveis pela criação desses cenários atraentes para exposição de produtos valem ouro e são ainda mais valorizados em tempos de crise, quando vender bem é uma questão de sobrevivência. Em grandes praças comerciais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, os vitrinistas se multiplicam atraídos pela quantidade de trabalho e pelos ganhos, que podem variar de R$ 2.500 a R$ 3.000, dependendo da época do ano, do nível dos trabalhos e das lojas que atendem.
O vitrinista pode trabalhar como funcionário fixo da loja, de uma rede de estabelecimentos comerciais ou como prestador de serviço - o que geralmente significa lucros ainda maiores em datas festivas como Dia das Mães, dos Pais e Natal. "O profissional que procura estudar e se especializar vale mais para o mercado", lembra o professor de vitrinismo do Senac, Jorge de Azevedo. Segundo ele, a produção de uma vitrine básica em um centro como o Recife pode render para o vitrinista cerca de R$ 60,00, mas os preços variam de acordo com o nível do profissional e a complexidade do projeto. Em São Paulo, vitrinistas chegam a cobrar R$ 100,00 por hora de trabalho para produzir suas obras de arte.
Na Europa, segundo Jorge de Azevedo, a profissão é supervalorizada. "Lá as vitrines são trabalhadas sobre cenários. São artísticas. Estamos tentando trazer esse conceito para o Brasil", explica Azevedo, que é formado em Belas Artes pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, e pós-graduado em Design pela Unicamp, SP, com residência em Veneza, na Itália.
Uma de suas alunas, a vitrinista Flávia Sotero, que há três anos atua no mercado e já trabalhou na Tutti Barreti, chega a produzir doze vitrines por mês. "O grande problema é mudar a cultura, ainda muito forte no meio comercial e empresarial, de que qualquer pessoa está apta a fazer uma vitrine", explica Flávia, que montou um atelier de decoração para trabalhar.
OTIMISMO - Outra profissional que aposta em projetos de produção de vitrines há oito anos é a decoradora carioca Bianca Leanva Antunes. Sócia do escritório de arquitetura e decoração Art de Vie, em Boa Viagem, ela conhece bem os mercados do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, onde chegou a concorrer a um prêmio pela melhor vitrine, oferecido pela Associação dos Lojistas de BH. "O campo de trabalho no Recife é menor do que no Rio e São Paulo, mas tende a crescer", reconhece. Composta por uma equipe de quatro profissionais, a Art de Vie faz projetos para qualquer tipo de vitrine, com orçamento completo, além de consultoria para uso de luz, cores e materiais.
Há quem mude de carreira por amor ao vitrinismo. É o caso do ex- advogado Frederico de Castro, que depois de concluir o curso de Direito e outros paralelos, como Desenho Arquitetônico e Comunicação Visual, hoje prefere ser chamado de Fred de Castro. Fred é produtor de moda, cenógrafo e vitrinista há sete anos. Atualmente, ele detém as contas da Visage, D'Oxido e Limão Verde. "Cheguei a prestar serviço para cerca de 20 lojas, mas agora me reservo o direito de trabalhar onde eu possa desenvolver de fato uma boa criação", diz o vitrinista.
Serviço
Flávia Sotero: 9202-4247
Art de Vie: 3465-6812
Fred Castro: 9967-3588