(Atualizado no dia 24/10/2001)
 
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Informática

Tecnologia pronta para se vigiar e patrulhar grupos de pessoas

Fabricio Rocha
Da equipe do Correio

Aaqueles que sempre defenderam a liberdade do indivíduo, a democracia, o direito de expressão vêm agora, explicitamente, idéias de censura e repressão. O governo dos Estados Unidos anunciou publicamente que procura formas de monitorar as telecomunicações entre pessoas, e isso envolve diretamente a internet.

Os estudos para a realização de tal vigilância estavam bem adiantados. O momento atual veio a calhar para justificar medidas de repreensão, vigilância e censura - um safanão na cara de pessoas inocentes e entidades defensoras dos direitos individuais.

O presidente da Associação Nacional de Usuários de Internet (Anui), Raphael Mandarino Júnior, compara o momento atual ao imaginado por George Orwell, no seu livro futurista 1984. "A diferença é que no livro havia um computador controlado pelo governo; hoje, há vários computadores, e eu não sei quem está controlando".

Ainda que nenhum governo leve adiante a idéia, vigiar pessoas é algo que vem sendo estudado, desenvolvido e utilizado com fins lucrativos. Várias corporações vêm instalando em seus servidores de internet softwares para filtrar ou até bloquear o uso da rede, não apenas impedindo acesso a sites, mas analisando o conteúdo de emails. Os programas barram a troca de informações de acordo com normas definidas pelos administradores da rede. "Uma empresa cliente nossa, nacional, chegou ao extremo de implementar 812 normas", declara Fernando Neves, diretor da Gaia Informática, empresa que vende o sistema MailGraber.

ARAPONGAGEM -- A escuta telefônica é velha conhecida, embora não seja uma forma viável de vigilância coletiva. O telefone celular permite, além da escuta tradicional, a interceptação de mensagens de texto e, principalmente, o rastreamento. Empresas de telefonia, como a France Télecom e a BCP de São Paulo, fizeram testes em que usuários recebem mensagens especiais ao entrarem na área de alcance de uma antena.

A aplicação disso torna a tecnologia comercial. Ao entrar num shopping, você pode receber no celular anúncios das promoções.Pior: espera-se que as companhias comercializem o serviço de rastreamento de pessoas. O analista inglês Iain Gillot, do IDC, declarou em um evento no ano passado: "A companhia telefônica lhe cobraria, digamos, R$ 25,00 para você saber onde está sua filha. Por R$ 50,00, eles diriam se ela está com aquele cara. Por R$ 75,00 dariam o telefone dele. E R$ 100,00, ela pagaria para que a companhia não divulgasse nada".








 

 
 
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