Decoração racionalizada
Além das tendências em materiais e cores, e da viagem feita pelos elementos da moda pelo século XX - já que esse segmento sempre flertou com as artes decorativas - o principal condutor da Casa Cor 2001 é mesmo o racionamento de energia. Em todos os 54 ambientes há a preocupação de aproveitar ao máximo a iluminação externa, otimizar o uso das lâmpadas e utilizar eletrodomésticos inteligentes. "Placas solares e sensores de emergência, para que as luzes apaguem quando não houver ninguém por perto, ajudam a poupar 30% da nossa cota", foi a primeira frase de Mônica Ayub, responsável pela mostra, na coletiva de abertura.
Para os arquitetos, que fazem o setor de decoração movimentar por ano, no Brasil, algo por volta dos US$ 4 bilhões, contando só o que é vendido para as classes A e B, esse trabalho não foi nada fácil. Especialmente, porque os endinheirados são seduzidos por cortinas erguidas por controle remoto e TV's com tela de plasma da espessura de um Picasso. "A solução está em alguns equipamentos, como osque fazem lâmpadas de 50 watts chegarem a 10, por exemplo", destaca os criadores da Sala Multimídia, Alexandre Buffa e Ana Cláudia Campello, falando de um lançamento da Siemens.
Esse foi o recurso para não estourar a conta da Celpe ao usarem a tal TV de plasma, um lançamento da Philco que custa R$ 27 mil e tem 8 cm de largura. Outra possibilidade, que ensinam Claudio Campello e Fábio Andrade, no Quarto do Jovem, é fazer uma iluminação bem específica. "O tratamento especial fica para os locais de leitura ou trabalho", explica Claudio. A opção de Carlos Augusto Lira, no Café/Bar, foi erguer paredes de vidro e montar um telhado de policarbonato. O problema das telhas é absorver toda a iluminação de fora, e o calor vem junto. O toque legal desse espaço é a utilização de móveis e objetos totalmente nacionais. Ethel Carmona foi a designer de móveis escolhida por ele, e por vários outros decoradores. "É uma marcenaria muito especial. Toda a madeira é encaixada. Um verdadeiro trabalho de arte", elogia Márcia Nejaim, que também optou por peças dela.
Perfeccionismo - No seu Living/Biblioteca, Márcia forrou as paredes com brim washed, aquele de calça, usado nas paredes da loja Armani. Foi tão perfeccionista que trouxe livros da coleção de Jorge Latache, o dono do casarão onde está a Casa Cor 2001. "A edição de Os Sermões, do Padre Vieira, data de 1679", conta ela. Seguindo em frente, é hora de conhecer o estilo mix total da dupla Flávius Lessa e Miguel Vaz. "Na mesa tem cristais venezianos, louça inglesa e descansos com fibra de coqueiro", diz Lessa. Ao lado de um quadro de 1910, puseram cortinas de estopa. "Foi a maneira que todos aqui encontraram de não exagerar na suntuosidade. Porque é uma época de crise", arremata o construtor da Praça do Lazer com Lounge, Turíbio Santos.
Sempre mostrando as composições mais inusitadas e criativas do evento, dessa vez, ele usou uma parede de latas amassadas para apresentar as novas louças da Deca. "Troquei a função delas. As pias tornam-se aquário. E as bacias sanitárias se transformam em vasos de flores". Já nos vasos, elas foram trocados por algodão. O efeito dele junto a todos os móveis brancos fica bem interessante. Também apostando na série fora do comum, as arquitetas Adriana Perman e Tuana Almeida projetaram um Quarto do Bebê bem Jetsons, com direito a um berço-moisés de macarrão plástico, além de branco e laranja total.
Mas os outros espaços infantis também estão muito legais. No Quarto das Crianças, de Iana Debóra Diniz e Suzana Gueiros, os colchões estão em um tablado de madeira com todas as brincadeiras à disposição. Uma praticidade que faltou em vários locais dos adultos. O toque lúdico está do lado de fora, no jardim das crianças com casa de boneca, de Sílvio Mário de Souza e Tereza Lobo. (Phelipe Rodrigues)
Serviço
A Casa Cor 2001 abre para o público em geral na próxima quarta-feira, de 15h30 às 23h30. A mostra vai até 25 de novembro.