A Diretoria de Polícia Civil designou um delegado especial para investigar a morte do agente Marcus Tadeu Borges, do Grupo de Operações Especiais (GOE). O delegado Esdras Marques vai comandar a apuração dos fatos que levaram Tadeu, 41 anos, a morrer afogado em Porto de Galinhas, na última sexta-feira, durante um treinamento de mergulho para agentes especiais.
De acordo com o delegado Antônio Carlos Cavendish, a equipe designada para investigar o caso terá 30 dias para ouvir todas as pessoas envolvidas no treinamento e analisar os laudos do IML. Cavendish rebateu as acusações da família de Tadeu, de que o agente teria sido forçado a participar do curso especial. "Não só ele como todos os outros participantes eram voluntários, e poderiam ter desistido na hora que desejassem".
Durante o enterro de Marcus Tadeu, a viúva, Elizabeth Maria Francisco, 43, acusou a Polícia Civil e a Companhia Independente de Operações Especiais da PM (que coordenava o treinamento) de serem responsáveis pela morte do marido. "Oque eles fazem nestes treinamentos é desumano. Na primeira semana, Tadeu passou cinco dias em Bonito e voltou sete quilos mais magro. Parecia uma caveira. Ele não tinha condições de continuar nisso. Não tinha preparo físico. Tenho certeza que houve negligência", desabafou a viúva.
Amigos da vítima que preferiram não se identificar, contaram que o grupo do GOE estava fazendo, nesta sexta, o primeiro treino de mergulho no mar, depois de ter tido algumas experiências em piscinas. Era a terceira semana do treinamento. Os comentários são de que, depois de nadar cerca de 200 metros, o comissário Tadeu começou a afundar, o que foi interpretado pelos instrutores como o mergulho previsto no treinamento. Não era. O agente já estava se afogando, o que foi comprovado minutos depois.
MISSÃO - Segundo a viúva, amigos disseram que na tarefa no mar só usavam pés de pato e óculos de mergulho e, além de nadar, teriam que mergulhar até uma caverna só com o material que usavam. "Os agentes disseram que os instrutores ficavamlá no fundo, esperando. E nem tinha salva-vidas por perto. Que segurança tem esse treinamento?", questiona Elizabeth. "Se os policais não falam, porque são orientados pra isso, eu vou falar. Quero ir até o fim nesta história, para que não aconteça com outros o que fizeram com ele".
O laudo expedido pelo legista Alberes Bezerra, único a trabalhar no IML no sábado, em função da Operação Padrão (tartaruga), confirma como causa da morte o afogamento. O corpo do agente foi enterrado na tarde de sábado, no cemitério Parque das Flores. Marcus Tadeu Borges deixou cinco fihos, dois deles do casamento com Elizabeth Francisco e estava na polícia civil há 18 anos.