Irmãos estavam sozinhos na casa, fechada pelo lado de fora, enquanto mãe bebia com amigas num bar
Um possível curto-circuito num ventilador provocou na madrugada de ontem o incêndio que destruiu a casa de número 110, da rua Bonfim, no Loteamento Conceição II, em Pau Amarelo, e matou carbonizados os irmãos Raul de Oliveira Palácio, 7 anos, Antônio de Oliveira Palácio, 4, e Ana Carolina de Oliveira Palácio, 2. As crianças estavam sozinhas na casa, de apenas três cômodos que estava com as portas fechadas a cadeados. O incêndio começou por volta das 2h, enquanto a mãe das vítimas, Maria Joselana de Oliveira, 38, bebia cerveja com mais duas amigas no Skina Bar, a 600 metros da casa. Os vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros (CB), mas a equipe da UTI Móvel já encontrou tudo destruído.
Segundo o soldado Gomes de Paula, da assessoria de comunicação do CB, a chamada foi registrada às 3h10 na Central de Operações. "Quando chegamos ao local, até o telhado tinha caído", disse, lembrando que encontraram Raul morto na cozinha e os demais na sala. Os legistas do Instituto de Medicina Legal (IML) e peritos do Instituto de Criminalística (IC) encontraram pedaços dos corpos das crinças pelo chão e paredes. O laudo da perícia que apontará a causa do incêndio deve sair em uma semana.
A notícia do incêndio chegou a Joselana através da mãe do seu ex-companheiro, Antônio Palácio, com quem teve cinco filhos e estava separada há dez anos. Os outros filhos moram com parentes. Luiz Henrique, 13, mora com a avó paterna e Artur Bruno, 6, com uma prima de Joselana. A família do pai das crianças não quis falar sobre o caso. Trabalhando como faxineira, Joselana sempre levava os filhos para o trabalho.
"Ela ficou desesperada e saiu correndo", descreve Adriana Carla, 23, uma amiga de Joselana que também estava no bar. Uma das vizinhas, a dona de casa Maria das Graças dos Santos, 33, alegou não ter ouvido nada que pudesse acordá-la a tempo de ajudar as crianças. "A gente estava dormindo e foi tudo muito rápido. Ela tinha o hábito de deixar os filhos sozinhos, mas era muito cuidadosa com eles", garantiu.
O delegado plantonista da DPCA, Frederico Cavalcante, concluiu que houve negligência da mãe das crianças e a indiciou por homicídio culposo. "Ela acostumava deixar os filhos sozinhos e saía para beber, além do mais encontramos a porta fechada com o cadeado para fora", apontou o delegado, acrescentando ser um crime afiançável, mas a acusada não tinha os R$ 2 mil exigidos. Joselana foi encaminhada à Colônia Penal Bom Pastor, que funciona provisoriamente no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Itamaracá. Joselana pode pegar de um a três anos de prisão.