Edição de Segunda-Feira, 22 de Outubro de 2001
 
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César Rocha
E-mail:politica@dpnet.com.br

Há uma questão que precisa ser melhor analisada em Pernambuco: o que move o governador Jarbas Vasconcelos no jogo sucessório nacional e por que ele tem tratado Itamar Franco com tanta fúria? Somando os fatos desde o início da gestão dele, não é difícil entender seu papel nesse jogo. De início, deve-se dizer que, certamente, Jarbas tem interesse em participar do processo por razões mais subjetivas - como acreditar, pelo menos em parte, no projeto de desenvolvimento nacional implementado ao longo das duas gestões de Fernando Henrique. Mas há o pragmatismo óbvio do jogo político: o apoio a FHC pode retornar sob a forma de apoio do Governo Federal à sua administração no Estado. É algo semelhante ao que tem feito João Paulo no Recife. Brizola quando governador do Rio de Janeiro manteve uma relação excelente com o então presidente Fernando Collor. Conseguiu construir a milionária Linha Vermelha. Miguel Arraes esteve bem também com FHC nos primeiros anos de seu governo. Chegou a acertar a antecipação de R$ 700 milhões da venda da Celpe - o que acabou sendo atropelado pelo processo eleitoral de 98, por pressões de Jarbas e Mendonça Filho. O que acontece agora com Jarbas é resultado da frutífera relação com FHC. Desde 99, Jarbas já conseguiu: rolar a dívida da operação dos precatórios; antecipação pela venda da Celpe e da Compesa; recursos para as obras do Aeroporto; e investimento na expansão do metrô do Recife. Chega-se a cerca de R$ 1 bilhão em apoio? Essa conta ainda precisa ser feita. Ela é um estímulo e tanto para missões como a de lutar por manter o PMDB na base governista.

Deputados governistas dizem que a recomendação veio do Palácio: ninguém deve falar sobre chapão e chapinha para evitar envolvimento antecipado do governador. Eles temem que, por causa das articulações, Jarbas chegue no ano que vem com a "corda no pescoço".

Animado

  O conflito no PPS com Fernando Bezerra Coelho virou motivo de piada. Luciano Siqueira (PCdoB) caiu na gargalhada quando o publicitário José Nivaldo apresentava a nova campanha televisiva da prefeitura e disse que tinha matado dois coelhos, produzindo vídeos multitemáticos. Luciano reagiu pedindo que parasse porque já havia ruído demais com Coelho.

Choque

  A secretária Terezinha Nunes ocupa posição privilegiada no núcleo central de decisão do Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). Supera suas atribuições como chefe da equipe de comunicação. Não é por outro motivo que se ouvem queixas freqüentes de grupos importantes da administração - de pefelistas, tucanos e peemedebistas.

Mania

  O presidente do PTB, deputado André Campos, não pára de receber elogios pelo programa partidário exibido na semana passada. Por falar na propaganda, pelo jeito, mais uma vez, o PTB vai fazer moda. Na Assembléia, virou mania o "Preste atenção, rapaz!", dito pelo ator Walmir Chagas, que interpretou o Mané Chinês na campanha de 2000. Até os governistas entraram na brincadeira.

Humor

  O clima é de alto astral na propaganda que a Prefeitura do Recife começou a veicular ontem. Mas ninguém quer nem ouvir falar nisso por causa das campanhas de Jarbas Vasconcelos na PCR.

Filiação

  O PT já digeriu a entrada de João Lyra Neto e Pedro Eugênio na legenda graças à reunião de emergência da executiva no dia da filiação - que inclusive atrasou a recepção. Houve uma dura discussão. O partido acabava de punir o deputado Paulo Rubem por ter descumprido o estatuto, mas os caciques petistas insistiam em filiar os dois, de forma autoritária, assumindo tarefa que é da direção.

Ameaça

  O deputado Antônio Morais (PSDB) voltou de São Paulo animado com o PSDB Municipal, jornal editado pela executiva tucana. Publicado mensalmente, apresenta uma coletânia de matérias já publicadas com denúncias contra a gestão de Marta Suplicy (PT). Se essa moda pega aqui...

A declaração de Antonio Ermírio de Moraes, no final da semana, em favor de Tasso Jereissati é sinal de que pouco importa a origem dos candidatos a presidente. Um cearense pode manter proximidade maior com a elite empresarial do País que um paulista do calibre de José Serra. Ser nordestino não é garantia de que se terá, um dia, políticas contra desigualdades regionais.








 

 
 
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