Edição de Sábado, 20 de Outubro de 2001
 

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Opinião

Bioterrorismo

Nova frente contra o terrorismo está aberta nos Estados Unidos desde o último dia 5, quando o editor de fotografia do jornal The Sun, da Flórida, morreu contaminado por antraz. Já são quase cinqüenta os casos de pessoas atacadas pelo bacilo, entre as quais funcionários dos gabinetes dos senadores Tom Daschle (Dakota do Sul), Russel Fengold (Wisconsin) e uma assistente do apresentador Dan Rather, da rede de tevê CBS News. A correspondência é o meio que tem sido utilizado para disseminação da moléstia.
  A colossal mobilização investigativa da polícia federal, o FBI, até agora não conseguiu reunir provas para vincular os ataques à rede terrorista Al Qaeda, comandada por Osama bin Laden. É fácil imaginar as dificuldades enfrentadas pelos contingentes policiais para identificar a origem da conspiração. O inimigo usa métodos tortuosos, age de forma sorrateira, mantém-se na sombra, oculta-se em meio a uma população multirracial de mais de 260 milhões de pessoas.
  Uma onda de pânico se ergue a cada dia com maior ímpeto sobre o território norte-americano. Afinal, qual o risco potencial do antraz? A moléstia é transmitida por bacilo próprio que provoca infecção grave. A contaminação pode ocorrer por contato direto, ingestão ou aspiração. Porém, uma vez atacada após diagnóstico oportuno, é curável com facilidade. Não resiste às terapias com sulfamida, penicilinas ou outros antibióticos. Assim garantem os mais autorizados especialistas em enfermidades do gênero, como Sebastião Prado Sampaio, professor emérito de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
  A psicologia humana, ensinam as lições colhidas do comportamento social, é muito mais sensível aos apelos do medo do que às certezas da ciência. A ofensiva bacteriológica desfechada pelo terror, seja lá qual for a bandeira sob a qual se abriga, assentou aí a sua lógica. E colhe no rastro da operação sinistra o pavor de um povo que, até 11 de setembro, julgava-se a salvo de qualquer ameaça. O sóbrio Washington Post, um dos mais acreditados diários do Mundo, registra o fenômeno em sua dimensão real. E adverte que o sentimento de impotência diante do bioterrorismo cria sérias perplexidades na Casa Branca.
  É notório, como reconhece o jornal, a falta de unidade no discurso dos líderes governamentais no tratamento da questão. Assim, mina-se cada vez mais a resistência moral do povo. Washington lida com um tipo de agressão pelo visto ignorado em sua estratégia de segurança. Contudo, da própria administração das tragédias sempre se recolhe experiência apta a superá-las. Aí está desafio aos Estados Unidos tão grande quanto os assaltos militares contra os antros terroristas no Afeganistão.








 

 
 
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