Ações terroristas reforçam a importância das apólices, evidenciando a profissão de corretor, que só no Brasil tem setenta mil registrados
Eduardo Sol
Da equipe do DIARIO
O mercado de seguros nunca teve uma vitrine tão abrangente e impactante quanto os ataques terroristas do dia 11 de setembro, que resultaram na queda das torres gêmeas do World Trade Center e atingiram o Pentágono, dois dos principais cartões-postais dos Estados Unidos. Para se ter idéia dos estragos, calcula-se que os seguros pagos giraram em torno dos US$ 20 bilhões. Resultado: da posição de despercebido por alguns, o segmento passou à bola da vez, já que a demanda pelas apólices vem aumentando e o mercado de trabalho está cada vez mais concorrido. Mas, atenção: se antes era um segmento disputado por quem estava sem opção de emprego, agora passa a exigir cada vez mais capacitação e experiência. Ainda mais em Pernambuco, que é o oitavo maior mercado brasileiro.
No Brasil, o segmento emprega cerca de setenta mil profissionais, número que promete explodir em breve. Afinal, o mercado de vendas de seguros já aumentou sua participação até no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, saltando de 0,7%, em 1994, para 2,7%, em 2000 (sem incluir as contas do setor de vendas da Previdência Privada). Traduzindo: em 1994, o setor movimentou R$ 4 bilhões e em 2000, cerca de R$ 22 bilhões. Montantes que só reforçam o aumento de vagas para corretores.
disciplina - Mas nem tudo é fácil no setor. Especialistas em Recursos Humanos alertam que a carreira de um profissional desse segmento deve ser pensada e bem planejada, sabendo onde se quer chegar. Vale lembrar, por exemplo, que os contratos com carteira assinada no mercado de seguros são raros, exigindo do profissional uma vasta clientela. Também é pré-requisito saber reconhecer as novas tendências e, sobretudo, o que o cliente está querendo.
Em média, um corretor de seguros com alguns anos no mercado pode ganhar de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil mensais, segundo dados do Sindicato dos Corretores de Seguro e Capitalização do Estado de Pernambuco (Sincor-PE). Uma das facilidades - ou dificuldades para alguns - é que os corretores de seguros são reconhecidos como profissionais liberais, sem vínculos empregatícios. "Muitas vezes achar trabalho e ser bem remunerado depende mais do profissional do que de outras pessoas", reforça o presidente do sindicato, Bertier Cândido.
Bertier, que tem experiência no ramo e está à frente da Bertier Corretora de Seguros, ensina aos interessados que é importante ter paciência e persistência para seguir em frente na profissão. "Quanto mais tempo um corretor está no mercado, mais clientes terá, aumentando seus ganhos progressivamente", afirma.
UNIVERSIDADE - Diante de uma concorrência cada vez mais acirrada, o mercado começa a ficar bem mais exigente que no passado. As corretoras de seguro, por exemplo, começam a exigir uma formação mais sólida dos profissionais do setor, com embasamento teórico e até cursos e especializações. Há alguns anos, não havia exigências para alguém ser corretor de seguros. Hoje, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), entidade regulamentadora ligada ao Ministério da Fazenda, exige que o candidato a corretor tenha, pelomenos, o segundo grau completo para fazer o curso técnico obrigatório ao exercício da profissão.
Segundo o presidente do sindicato pernambucano, o número de corretores com curso superior tem crescido muito, a ponto de 25% dos profissionais do ramo em Pernambuco já terem diploma universitário. Dos profissionais que atuam na área e têm cursos universitários, a maioria tem formação em Direito, Administração e Economia. "A exigência para que o corretor de seguros tenha curso superior chegou perto de ser aprovada, em maio deste ano, mas houve reclamações de algumas partes, então a Susep achou melhor deixar como está", relembra Bertier.
Portanto, se você é um dos interessados em exercer a profissão de corretor de seguro, saiba que também é obrigatória a realização de um curso na Fundação Escola Nacional de seguros (Funenseg). Há dois tipos de habilitação: um curso específico para corretores de seguro de vida e outro para corretores em geral. O para seguros de vida dura três meses e custa R$ 400,00. Já o de habilitação na comercialização de seguros em geral custa R$ 1.200 e dura sete meses.
Serviço
Funenseg - Rua Sport Clube do Recife, 280, 8º andar,
sala 819
(81) 3423.1134
www.funenseng.org