PIRAJU (SP) - Fazenda Ceres, ponta de lança de um projeto da Força Sindical de estender sua atuação à área rural, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, está sob suspeita de ter sido comprada a preços superfaturados. O caso já foi enviado pela Procuradoria de Justiça do Estado para o Ministério Público Federal.
A fazenda, de 300 alqueires, foi comprada em abril por R$ 2,3 milhões para assentar 73 famílias da Força da Terra (braço rural da Força Sindical) com financiamento do Banco da Terra. Mas, segundo depoimentos colhidos por uma comissão da Câmara Municipal de Piraju, no interior de São Paulo, o preço real da fazenda fica entre R$ 900 mil e R$ 1,5 milhão.
A Fazenda Ceres é um dos principais projetos do presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que usou imagens da propriedade no último programa eleitoral do PTB, do qual é vice-presidente nacional. Só nos estados de São Paulo e Rio Grande do Norte, a Força da Terra deve receber mais de R$ 160 milhões do Banco da Terra, segundo protocolos assinados pelo ministro Raul Jungmann com a central sindical.
Paulinho tem antigas ligações com Piraju. Sua mulher, Elza de Fátima Costa Pereira, é da região e chegou a ensaiar uma candidatura a prefeita no ano passado. A rádio da cidade hoje é de um advogado da Força Sindical. O fazendeiro Nelson Monteiro de Souza depôs na Câmara de Vereadores e afirmou: "A venda de parte da fazenda foi oferecida por R$ 3 mil o alqueire e possivelmente o proprietário aceitaria uma proposta de R$ 2.500", disse Nelson, conhecido fazendeiro da cidade.
Com 300 alqueires, a R$ 3 mil o alqueire, o preço da fazenda seria de R$ 900 mil. A Força pagou R$ 7.500 por alqueire, com dinheiro do Banco da Terra. O presidente da Força da Terra em Piraju, Júlio Piacenzzo Galhardo, disse à Câmara que chegou a atuar como representante de um corretor que oferecia a fazenda a R$ 5 mil o alqueire. Na condição de presidente da Força da Terra, Piacenzzo foi o principal responsável pela escolha da propriedade, aprovada em assembléia pela maioria dos 72 assentados. Ou seja, ele tentou vender a fazenda por R$ 1,5 milhão, não conseguiu e, pouco depois, comprou a propriedade com financiamento do Governo por R$ 2,3 milhões.
No último dia 15, a Procuradoria de Justiça do Estado enviou representação ao Ministério Público Federal, em Marília, pedindo a investigação do suposto desvio de dinheiro público. Pelo menos cinco dos 72 assentados já desistiram do projeto.
Comentário dos leitores:
"É isso que dá os trabalhadores se enganarem e pertencerem a um sindicato dos Patrões (Governantes).
Sindicato sério não se mete em falcatruas! Cabe à imprensa denunciar e esclarecer aos trabalhadores que a Força Sindical não é um Sindicado dos Trabalhadores e sim, dos Patrões." Jose Mauro Cavalcanti de Assis, por e-mail.