(Atualizado no dia 05/10/2001)
 
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Imóveis

Mudança nos padrões de consumo do pernambucano

Imóveis de três quartos ganham preferência, mas área continua pequena

Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO

Seguindo uma tendência mundial já consolidada nos grandes centros urbanos brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o mercado imobiliário Pernambucano experimenta uma expressiva mudança na preferência dos consumidores. Os imóveis de dois quartos, direcionados à classe média com renda de até vinte salários mínimos, que há pouco mais de cinco anos representavam 64,2% das vendas, aos pouco vêm cedendo espaço para os de dois quartos mais um reversível, que na maioria esmagadora das vezes é integrado à área social, assumindo funções de ambiente para som e TV, escritório e até área de lazer para as crianças. A mudança no perfil elevou a participação dos imóveis de três quartos de 20%, em 1995, para 37,2% em agosto deste ano, segundo o Índice de Velocidade de Vendas (IVV), elaborado pela Federação da Indústria de Pernambuco.

  No entanto, isso não significa necessariamente a construção de imóveis mais amplos e dotados de cômodos espaçosos. Normalmente, os apartamentos de dois quartos mais um reversível apresentam áreas idênticas aos de dois quartos, ficando entre 50 e 70 metros quadrados. O curioso é que o terceiro cômodo, inicialmente previsto nos projetos para abrigar o quarto de empregada, passou a ganhar maior funcionalidade, sendo incorporado à área social. De acordo com os construtores, isso pode ser explicado pela mudança nas relações trabalhistas em relação aos empregados domésticos. Hoje, são poucas as famílias que mantêm empregados fulltime, sendo estes substituídos por diaristas ou pela prestação de serviço esporádico.

  Segundo Mônica Mercês, responsável pela elaboração do IVV, além da preferência dos consumidores por imóveis de três quartos, mesmo com áreas reduzidas, deve-se observar ainda que das 1.582 unidades comercializadas este ano pelo mercado imobiliário local, 41,5% corresponde a imóveis entre 50 e 70 metros quadrados, sendo que 43,5% deste total referem-se aos apartamentos de três quartos. "Os bairros que mais têm sido contemplados com este tipo específico de construção são San Martin, Boa Viagem, Madalena, Tamarineira, Graças e Setúbal, atendendo a uma faixa de público que tem crescido bastante nos últimos anos", revela.

  

doméstica - Para o presidente do Sindicato da Construção, Jorge Côrte Real, o fator que mais tem contribuído para o fortalecimento deste segmento de mercado é sem dúvida a mudança no perfil dos empregos domésticos. "Hoje, nota-se que a instituição do vale transporte tem facilitado bastante a vida dos empregadores, que podem liberar seus funcionários ao final do dia, transformando o cômodo de serviço em mais um ambiente de múltiplo uso", garante, ao mesmo tempo em que argumenta que em muitos casos é dado ao consumidor a possibilidade de escolher o tipo de planta que melhor se encaixe às suas necessidades. "O que temos percebido é que os compradores, embora decidam pela uso social do terceiro quarto, dão preferência aos apartamentos que mantém o banheiro de serviço".

  Unindo criatividade e funcionalidade, o casal Ipoange e Virgínia Trigueiro é um bom exemplo de como é possível integrar o terceiro quarto à área social. Nascente, o quarto reversível adquiriu novos ares, dando mais amplitude aos outros ambientes, tento em vista que concentrou os equipamentos de lazer a residência. "Sentimos a necessidade de ampliar nosso espaço, e como não tínhamos um local específico para o lazer familiar, resolvemos transformar o quarto reversível em ambiente de som e TV, além de montarmos um pequeno escritório", arremata Virgínia.








 

 
 
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