Companhia aérea portuguesa espera reduzir em US$ 75 milhões o prejuízo registrado no ano passado
Em meio a um crise sem precedentes na aviação comercial, a TAP Air Portugal, mantém seus planos de reformulação administrativa e recuperação financeira. Apesar das incertezas provocadas pelos ataques terroristas de 11 de setembro passado, a companhia espera reduzir em cerca de US$ 75 milhões o prejuízo verificado no ano passado. Nos próximos três anos, a previsão é de um crescimento de 6%. Ainda neste mês, a direção da TAP dará início aos road shows para divulgar os números da companhia a potenciais investidores interessados na sua privatização, que deve ocorrer no próximo ano.
Com 100% de suas ações nas mãos do Governo português, a TAP registrou em 2000 um resultado negativo de US$ 125 milhões. Neste ano, a expectativa do presidente executivo da empresa, o brasileiro Fernando Pinto (ex-presidente da Varig), é de um prejuízo de US$ 49,7 milhões. O mesmo planejamento estratégico prevê o equilíbrio financeiro a partir do próximo ano. "Em 2003, começaremos a apresentar lucro", acredita.
Os planos da empresapermanecem mesmo numa conjuntura desfavorável que atinge todo o setor aéreo. Entre 11 e 18 de setembro, a TAP - que passou cinco dias sem realizar vôos para os Estados Unidos - registrou uma perda média de receita de aproximadamente US$ 1,8 milhão. "Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer daqui para frente", admite Fernando Pinto. Apesar de esperar uma queda entre 5% e 10% no tráfego aéreo, ele afirma que os planos de crescimento da TAP estão mantidos.
Mesmo enfrentando as incertezas decorrentes dos atentados, a empresa vem trabalhando para aumentar a produtividade e se tornar mais competitiva. Ao diminuir seu resultado negativo ainda este ano, ganhará fôlego para realizar investimentos. Até dezembro, cerca US$ 50 milhões terão sido empregados em desenvolvimento de tecnologias e no aprimoramento de aeronaves.
O Governo de Portugal já decidiu que vai privatizar a empresa e caberá a Fernando Pinto coordenar todo o processo. Antes mesmo de colocar a companhia na vitrine, o presidente diz que "entre seis eoito empresas", todas de Portugal, já demonstraram interesse na privatização da TAP. A estatal portuguesa começou a operar em 1945, tem uma receita anual de US$ 1 bilhão e uma frota de 36 aviões distribuídos em cinco modelos diferentes. É considerada pelo setor como top de linha em matéria de manutenção e segurança, opera em 27 países e transportou, no ano passado, 5,280 milhões de passageiros.
Em Portugal, a estabilidade no emprego é garantida pela Constituição. Portanto, qualquer demissão - mesmo na iniciativa privada - tem de acontecer por justa causa (o que é difícil de ocorrer) ou de maneira voluntária. Para estimular os pedidos de demissão, a estatal está desembolsando US$ 45,6 milhões neste ano. A idéia é que pelo menos 900 funcionários sejam desligados da empresa. Também está proibido qualquer aumento de despesa provocado por reajustes salariais. "Não se pode nem pensar nisso", diz Fernando Pinto. O atual modelo de privatização em Portugal prevê a venda de 39% das ações a empresas privadas e outros10% aos funcionários. Esta parcela destinada aos empregados, entretanto, pode ser repassada para sócios privados.