Edição de Domingo, 26 de Agosto de 2001
 
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Menem quer voltar ao poder em 2003

Ex-presidente já elaborou um plano de governo para disputar as próximas eleições na Argentina

BUENOS AIRES - Ele não perde a ambição de poder, nem mesmo preso. Fiel a seu estilo polêmico, o ex-presidente argentino Carlos Menem, 71 anos, divulgou, esta semana, as bases para um plano de governo, documento com o qual pretende retomar seu projeto de disputar a presidência em 2003, pelo Partido Justicialista (PJ).

  Astuto, o ex-presidente quis aproveitar a decadência do governo Fernando De la Rúa para reconquistar o apoio dos argentinos. "A crise fiscal argentina não está relacionada a uma situação herdada, trata-se de uma crise auto-induzida, provocada por um cenário externo desfavorável e uma política econômica equivocada", diz o documento, deixando claro que Menem não assume qualquer responsabilidade pela atual situação do país.

  

PROPOSTAS - Entre outras medidas, ele propõe a dolarização da economia argentina, a negociação de um acordo estratégico com os Estados Unidos e a reformulação das entidades de segurança e defesa do Estado. O desafio de conquistar os argentinos é quase impossível.

  De acordo com pesquisas feitas por institutos privados, Menem é um dos políticos de menor prestígio no país, com menos de 10% de popularidade. Sem falar na situação judicial do ex-presidente, detido em prisão domiciliar desde 7 de junho, acusado de chefiar uma associação ilícita que teria contrabandeado 6.500 toneladas de armas para a Croácia e o Equador, entre 1991 e 1995. A defesa apelou da decisão do juiz Jorge Urso e, segundo familiares e assessores, Menem será libertado em breve. Mas analistas políticos dizem que o processo pode durar até três anos.

  O texto, de dezoito páginas, foi elaborado por colaboradores do ex-presidente e será utilizado na campanha do PJ em La Rioja, terra natal de Menem, para as eleições legislativas de outubro. O ex-presidente é candidato a senador suplente e poderia assumir o cargo caso seu irmão Eduardo seja eleito e renuncie. Ele ganharia imunidade parlamentar, escapando do julgamento.

Outra jogada estratégica de Menem nesta semana foi anunciar aos "quatro ventos" que havia recebido "solidariedade total" do ex-mandatário norte-americano George Bush e do chefe do Governo colombiano, Andrés Pastrana. Menem, que foi presidente de 1989 a 1999, disse também que tem muitas esperanças de recuperar sua liberdade, em uma entrevista telefônica publicada no jornal Página/12 (esquerda).

  Menem comentou que o juiz federal Jorge Urso - que o processou como suposto chefe de uma associação ilícita - "talvez me odeie, embora, eu o tenha nomeado". Lembrou que, na época, o magistrado "me agradeceu a nomeação, mas como agradecimento me mandou prender. São coisas da vida".

  O ex-chefe de Estado afirmou que estava esperançoso sobre uma última forma em sua detenção, como também acreditam seus advogados. "Tenho certeza de que isto será superado na medida em que os juízes levarem em conta o recurso de apelação que meus advogados apresentaram", disse.

  Menem também afirma acreditar que é vítima de uma campanha muito dura desencadeada contra ele, "sem nenhum fundamento, e que termina sendo um avançoda política sobre a justiça". Explicou sobre a recente viagem à Colômbia e Estados Unidos por sua mulher, Cecilia Bolocco. Disse que ela simplesmente levou esta mensagem, elaborada por ela mesma, ao presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, e ao ex-presidente Bush.

  Segundo analistas, La Bolocco começou a adquirir "funções de Evita" durante o período de detenção do marido. Tentando imitar a esposa do presidente Juan Domingo Perón, fundador do partido de Menem, ela tenta angariar a simpatia apresentando-se como "a mulher forte do líder perseguido". Habilidosa, Cecilia conta com o know how de ter sido apresentadora da TV chilena. Segundo fontes políticas, ela está delineando um perfil que a colocaria como uma liderança "social" do menemismo.








 

 
 
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