Embratur indica que, até 2003, 500 mil empregos serão gerados no Brasil, 360 mil deles na rede hoteleira
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Desejo de servir, domínio de um idioma estrangeiro e pelo menos o primeiro grau completo. Parece pouco, mas são requisitos supervalorizados, que podem abrir as portas para uma vaga de trabalho na área hoteleira, principal termômetro do crescimento turístico no Brasil. Pelos cálculos da Embratur, até 2003, pelo menos mais 500 mil novos empregos serão gerados no setor em todo País. Os hotéis contribuirão com o montante de 360 mil dessas vagas. O aumento do número de empregos indiretos nos próximos três anos é ainda mais animador, apesar de todas as crises enfrentadas. Deve ultrapassar 1 milhão em todo o País, segundo cálculos da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH).
De acordo com o presidente da ABIH Nacional, Herculano Iglesias, o incremento no número de postos de trabalho é fruto do surgimento de 300 novos empreendimentos hoteleiros que estão sendo construídos no Brasil. "A crise energética não afetou as obras. Os hotéis que estão em construção serão concluídos", assegura. A remuneração é outro fator atraente, pelo menos para os padrões brasileiros. Um chefe de cozinha de um hotel de categoria superior pode ganhar mais de R$ 2 mil.
No Nordeste, somente o grupo francês Accor, vai inaugurar, até 2003, seis hotéis e um flat, que resultarão em 359 empregos diretos e 1.795 indiretos. O Recife será contemplado com o flat, no segundo trimestre de 2002, que gerará, sozinho, 42 vagas diretas, segundo a diretora de RH do grupo, Vera Costa. A rede espanhola Sol Meliá também investe na Região. Com cinco hotéis em Fortaleza, Maceió e Salvador, ela emprega diretamente 150 pessoas. "Em todo o País são 17 empreendimentos, mas até 2005 serão 30", informa a diretora de Marketing da rede, Elizabeth Wada.
PERNAMBUCO - Ainda em Pernambuco, no litoral Sul, de acordo com o presidente da Empetur, Frederico Loyo, deverá ser inaugurado em 2003 um novo resort com 250 apartamentos. "Até o final do ano, na mesma área, funcionará outro empreendimento, de origem alemã, com 96 apartamentos", informa. Segundo Loyo, só nos últimos três anos surgiram 1,5 mil novas vagas formais de trabalho no litoral Sul do Estado.
Mas não são apenas os estrangeiros que investem na Região. Na praia de Muro Alto, a 55 Km do Recife, o grupo Pontes Hotéis inaugurou há oito meses o Summerville, resort que sozinho garantiu emprego para 300 profissionais. "A maior parte da mão-de-obra é local", assegura a supervisora de Recursos Humanos da empresa, Sandra Sarinho.
A inauguração do centro de convenções do hotel e a conclusão de mais oito apartamentos (perfazendo o total de 202), vai exigir a contratação de mais 50 pessoas. "Com o centro de convenções, nossa ocupação deve aumentar entre 18% e 20%", calcula o gerente-geral de Marketing e Vendas do Pontes Hotéis, Sérgio Paraíso.
Para atuar no Summerville estão sendo recrutados profissionais para as áreas de governança (camareiras - 1º grau, supervisoras de andar - 2º grau); alimentos e bebidas (auxiliar de cozinha, padeiro, garçom, supervisor steward/faxineiro de cozinha, cozinheiro, gard manger/subchefe de cozinha, barman, commis/auxiliar de garçom, confeiteiro, auxiliar gard manger e supervisor de bares); hospedagem (recepcionista - 2º grau, com um idioma fluente -, atendente de loja - 2º grau, com experiência de um ano em vendas); segurança (vigilante - 2º grau, com curso de formação em vigilante atualizado); esporte e lazer (recreadores - 2º grau -, e monitores - recém formados em Educação Física). Os salários variam de R$ 4 300,00 e R$ 1 mil.
OPORTUNIDADE - Mais do que habilidades técnicas, trabalhar no setor hoteleiro requer um certo fascínio pela área. Apaixonado pela atmosfera dos hotéis, o administrador de empresas Joran Diniz, 26 anos, decidiu aproveitar as oportunidades do mercado e concorrer a uma vaga de recepcionista no Hotel Atlante Plaza, em Boa Viagem. "Trabalhei como auditor, gerente de vendas e em uma ONG internacional, mas sempre quis ter uma interação maior com o público", afirma Diniz, que começou a trabalhar este mês. Ele não conseguiu a vaga por acaso. O rapaz fala fluentementeo inglês e o espanhol, tem experiência internacional, por ter morado seis meses em Denver(EUA), além do currículo de administrador de empresas.