Conselho Monetário deve liberar linha de crédito para financiar estocagem de leite pelo setor industrial
BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse na última sexta-feira que o Conselho Monetário Nacional deverá aprovar esta semana uma linha de crédito de R$ 200 milhões destinada a financiar a estocagem de leite pelo setor industrial. A medida foi anunciada pelo ministro após reunião da cadeia produtiva do setor leiteiro com os técnicos do Ministério para encontrar uma solução para a queda de preços que os produtores de leite estão enfrentando, como conseqüência da redução da demanda por parte da indústria.
Pratini também informou que o Ministério aprovou, juntamente com o setor produtivo, duas outras medidas para apoiar o setor: estimular as exportações de leite em pó e produtos lácteos, e reduzir as importações. Nesse último caso, disse que levantamento feito pelos técnicos mostra que os maiores importadores do produto são as prefeituras municipais, que compram o leite como componente da merenda escolar. "Os empresários disseram que os preços do produto nacional são competitivos, então não há razão para as importações", observou. "Vamos procurar as prefeituras e tentar colocar o produto nacional", salientou.
Com relação ao financiamento para estocagem o ministro explicou que o mesmo será feito através de NPRs (Nota Promissória Rural). Com esse tipo de financiamento, a indústria terá um prazo para resgate dos títulos de 180 dias junto aos bancos, o que lhe permitirá estocar o leite adquirido. Salientou ainda que o financiamento para estocagem era tradicionalmente concedido em outubro.
Diante da crise de preços que o setor enfrenta, contudo, o governo decidiu antecipar a sua concessão para o mês que vem. "A indústria terá que pagar preços remuneradores ao produtor, porque o financiamento permite isso", alertou.
Com relação às exportações de leite e derivados, um segmento que o Brasil não tem tradição, o ministro explicou que o Governo vai fazer a lista dos possíveis importadores e convidá-los para que visitem a indústria brasileira. Após a visita aos estabelecimentos brasileiros, o Ministério da Agricultura, concederá a certificação sanitária as empresas que se habilitarem. Segundo ele, há espaço para exportar leite para a Líbia, Venezuela, Malásia e México.
Segundo cálculos da indústria, há um excedente de dois bilhões de litros de leite. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), Edmundo Klotz, disse que a indústria tem condições de exportar. "Nós já estamos exportando, embora em pequena quantidade", informou.
Os representantes da produção não souberam precisar qual é a média na queda dos preços e nem qual a quantia de excedente. Segundo o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura, Paulo Bernardes, o percentual de queda varia de estado para estado. Salientou, contudo, que a redução no preço pago ao produtor, que variava entre R$ 0,40 a R$ 0,35 o litro até junho, caiu para até R$ 0,25 como foi o caso de Goiás, neste mês. Klotz disse que a redução nas compras por parte da indústria é uma conseqüência dodesaquecimento da economia e, mais recentemente, da redução obrigatória no consumo de energia.