Popularização de antidepressivos e tranqüilizantes já preocupa a comunidade científica internacional
Roberto Cavalcanti
DA EQUIPE DIARIO
Se você costuma sentir palpitações, distonia, sensação inexplicável de aperto no peito, impaciência e distúrbios do sono, cuidado! Estes podem ser sintomas de um mal que costuma ter muitas faces. Silenciosa, a ansiedade geralmente está associada ao ritmo estressante da vida moderna, onde movido por cobranças e pela busca de resultados cada vez mais imediatos o homem se vê valorizado pelo que produz e não pelo que reflete em experiências. Dessa forma, desenvolve-se uma série de reações físicas e psíquicas caracterizadas por um temor indefinido e por sentimentos de insegurança e perigo iminente, muitas vezes só refreados por poderosas drogas ansiolíticas.
O nível de ansiedade presente na sociedade moderna não poupa ninguém. Homens, mulheres, adolescentes e crianças estão igualmente vulneráveis. O problema tem tomado proporções tão alarmantes que pesquisas indicam que 40% dos pacientes que buscam ajuda junto a médicos clínicos gerais saem dos consultórios portando receitas que prescrevem algum tipo de medicamento de efeito tranquilizante.
Fármacos de uso controlado e derivados dos benzodiazepínicos, como o Valium, o Diazepan e o Lexotan, além dos hipnóticos indutores do sono, a exemplo do Roypnol, do Imovane e do Noctal estão se tornando bastante populares, gerando uma reação de dependência química capaz de provocar, entre outros problemas, a síndrome de abstinência. Outro fator importante e que deve ser considerado são os efeitos colaterais. Sonolência, diminuição do alerta cerebral, comprometimento da memória e sensação de "ressaca" no dia seguinte são apenas alguns dos muitos problemas acarretados pelo uso indiscriminado de ansiolíticos.
De acordo com a psiquiatra Lúcia Figueiroa, a prescrição abusiva de ansiolíticos no tratamento dos diversos níveis de ansiedade tem chamado a atenção da comunidade científica mundial que vem buscando mecanismos para reduzir a prescrição desse tipo de medicamento. "Hoje já existe um trabalho de conscientização dos médicos ainda na faculdade para tentar reduzir o uso dessesmedicamentos. No entanto, é bom que fique claro que em alguns casos o consumo de fármacos é indispensável. Só que o uso não deve ser prolongado além de 15 dias contínuos, desde que seja realmente necessário, nem em doses muito altas".
A psicoterapeuta Salomé Andrade revela que existem diversas formas de tratar a ansiedade sem que seja necessário recorrer ao uso de medicamentos. "Embora ocasionalmente eles ajudem a reduzir o grau de ansiedade, pode-se lançar mão de técnicas menos agressivas e de efeito igualmente satisfatório como shiatsu, reiki, massagem ayurvédica, terapia floral, além de yoga, meditação e atividades físicas que promovam o equilíbrio corpo-mente-espírito", aconselha.