Capital do Mato Grosso é um bom ponto de partida para quem quer desvendar a beleza selvagem, a riqueza cultural, os encantos e atrações arquitetônicas que servem como diferenciais nesse pedacinho da América do Sul
Roberto Cavalcanti
enviado especial
Fruto do espírito aventureiro dos bandeirantes paulistas, que venceram o desafio de desbravar os quase intransponíveis sertões do Brasil Central, em busca de ouro e pedras preciosas, a pequena mas caprichosa capital do estado de Mato Grosso é o ponto de partida para quem se propõe a descobrir a beleza selvagem, os mistérios, os encantos e a riqueza cultural que pulsam no coração da América do Sul. Fundada no início do século XVIII, em decorrência da descoberta de ouro de aluvião no rio Coxipó Mirin, a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá guarda, ainda hoje, um dos mais representativos acervos arquitetônicos brasileiros.
Igrejas seculares, casarios com forte tendência neoclássica, chafarizes e coretos de concepção alemã levam o turista a um passeio pelas inúmeras influências que ajudaram a formar a identidade cultural do povo matogrossense. Cabocla, cafuza, indígena ou de descendência européia, a população cuiabana tem espírito próprio. A mistura de tipos humanos, cada um com características peculiares, confereuma beleza e um colorido todo especial às ruas da cidade, dando provas de que somos, na verdade, muitos Brasis.
acervo - A febre do ouro, que proporcionou a fundação, em 1719, da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, também foi responsável pelo seu abandono quarenta anos mais tarde, quando da descoberta de novos veios auríferos em outras regiões e da pesada cobrança de impostos pela Coroa portugueses, o que forçou o deslocamento da população para áreas mais propícias à mineração. No entanto, todo o centro antigo ainda abriga um rico acervo colonial, com seus casarios construídos rentes ao calçamento e colados uns aos outros, retratando os costumes das típicas cidades mineradoras do século XVIII.
As incursões turísticas pela cidade que se autoproclama Portal da Amazônia deve começar inevitavelmente pela Igreja do Rosário, datada de 1950. Em estilo colonial português e com forte tendência barroca no interior, o templo foi construído pelos escravos, sendo a primeira capela de invocação a São Benedito do centro-oeste. No roteiro religioso não se deve deixar de fora a Igreja da Boa Morte, construída na segunda metade do século XIX pela Irmandade de Homens Pardos; e a Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho, única no Brasil em estilo neogótico. Ao lado da igreja funciona um belíssimo museu de arte sacra.
Também não devem ser esquecidas visitas à bica, primeira fonte de água potável de Cuiabá, ao Chafariz Mundéu, em estilo neoclássico, e ao coreto localizado na praça Ipiranga e adquirido em Hamburgo, Alemanha. Vale, ainda, uma visita ao Templo Islâmico, construído na colina Dom Bosco, pela colônia árabe; e à Chácara de Deidâmia, um das mais expressivas da arquitetura cuiabana, construída em taipa e adobe, com alicerces em pedra canga e janelas em rótulas.
NATUREZA - À tarde, é hora de conhecer os atrativos e as belezas da fauna e flora dos diversos ecossistemas do matogrosso. O Horto Florestal Tote Garcia reúne exemplares vegetais típicos do cerrado e da mata ciliar. São ao todo 17 hectares onde se pode caminhar por trilhas ecológicas e ver exposições de espécies botânicas regionais. Quem quiser conhecer de perto a vida selvagem do pantanal, deve visitar o zoológico da Universidade Federal do Mato Grosso. São setenta espécies de répteis, aves e mamíferos. Entre as raridades estão as onças pintadas, as jaguatiricas, o lobo guará, além de águias e gaviões. Não deixe de conhecer o Aquário Municipal. Localizado no porto, ele abriga peixes típicos da bacia pantaneira.
Os museus constituem parada obrigatória para os turistas. O circuito pode começar pelo Museu Rondon onde estão expostas amostras de artesanato de 35 comunidades indígenas da região. No Museu de Arte Popular e na Casa do Artesão é possível admirar e adquirir uma enorme variedade de artigos em madeira, barro, pedras e plumagem, com destaque para as aves entalhadas em madeira nos mais variados tamanhos. Merecem ainda destaque, o Museu do Rio, o Palácio da Instrução, o Tesouro do estado e o Arsenal de Guerra, todos em estilo neoclássico.
O repórter e fotógrafo viajaram a convite da Secretaria de Turismo de Mato Grosso