Instinto é o principal aliado da atriz na composição da justiceira Rosa Palmeirão, de porto dos milagres
Atriz extremamente intuitiva, Luiza Thomé tem um método particular de estudar cenas difíceis. Se precisa demonstrar sofrimento, ela se lembra de experiências que lhe deixaram marcas dolorosas. Foi assim que se preparou, por exemplo, para gravar a cena em que Rosa Palmeirão, sua personagem em Porto dos Milagres, assassinava o coronel que abusara de sua irmã.
"Na época, comentei com meu marido: "Você sabe que para fazer esta cena eu me lembrei disso e disso e nem fiquei triste?". Só que dois dias depois eu caí de cama, arrasada!", lembra ela. Se proporcionou a Luiza um de seus raros momentos de calundu, como diriam os portomilagrenses, a seqüência, em compensação, fez o público se apaixonar pela justiceira. Prova disso é que os autores decidiram criar o triângulo amoroso entre ela, Félix (Antônio Fagundes) e Adma (Cássia Kiss) depois que as mulheres que participaram do grupo de discussão organizado para avaliar a trama avisaram que queriam ver o imbróglio no ar.
curinga - As telespectadoras disseram acreditar que Félix não gostava de Adma. E que Rosa era uma mulher de fibra como poucas. "A Luiza é pé quente, é nosso talismã", diz Ricardo Linhares, que escreve a novela em parceria com Aguinaldo Silva. "Ela fez todas as nossas histórias: Fera Ferida, Pedra Sobre Pedra, A Indomada e Tieta. "Desde que decidi o perfil de Rosa Palmeirão, pensei: "Esse papel tem que ser da Luiza", acrescenta Aguinaldo. "Ela é muito boa para fazer personagens fortes".
Apesar de confiar no taco dos autores, a atriz conta que se surpreendeu com a aceitação da personagem: "A Rosa é forte, vai me marcar para sempre. Pensei que o público talvez não gostasse de uma ex-presidiária, dona de bordel, mas, quando saio, as pessoas me abraçam e dizem que a adoram. O reconhecimento do público é tão bom quanto uma declaração de amor do meu marido".
família - O marido, como se vê, é referência constante. Louca pelo empresário paulista Adriano Facchini, com quem se casou há seis anos, Luiza não perde uma chance de demonstrar o que sente - e enquanto concedia esta entrevista, inclusive, passou boa parte do tempo de mãos dadas com ele. A atriz confessa que já teve um ciúme doentio, mas garante que hoje sabe se controlar: "Nossa relação é maravilhosa; tenho um ciúme normal. Para ele é que é difícil ver a mulher beijar outros homens na TV".
A única sombra na felicidade de Luiza é estar longe do filho Bruno, de três anos, já que o apartamento da família fica em São Paulo. "Às vezes, tenho que gravar no Rio de segunda a sábado. Quando ligo para casa e ele diz "não quero falar com você, estou brincando com a minha babá", morro de ciúme!". A atriz quer dar um irmão a Bruno. Ela tem um pouquinho de medo de ter uma nova depressão pós-parto, como aconteceu na primeira gestação, mas nem por isso abriria mão deste sonho: "Sou uma pessoa tão para cima que a depressão demorou a ser diagnosticada. Mas, quando a mulher já tem esse histórico, faz-se um tratamento preventivo na segunda gravidez.
Outro filho é projeto para depois de Porto dos Milagres. No momento, Luiza se dedica à novela. Em breve, Rosa descobrirá que Guma (Marcos Palmeira) é seu sobrinho: ela verá o pescador usando o anel que foi de Bartolomeu (Antônio Fagundes) e interpelará Rita (Joana Fomm), que revelará que o rapaz foi encontrado no mar, ainda bebê. Nesse momento, Rosa se tornará antagonista de Félix. A partir daí, há vários finais possíveis, mas não revelados.
Para enfrentar a rotina de trabalho, Luiza faz exercícios diários. "Na minha cabeça, a Rosa tem que ser parruda", diz a atriz, que também se prepara para a chegada dos 40 anos. "Além disso, com 3.8 (38 anos) a gente tem que se cuidar!", brinca.