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Argentina anuncia ajuste de US$ 4,5 bi
BUENOS AIRES - "Viver somente com aquilo que for arrecadado". Este será o slogan informal do Estado argentino, depois da implementação do novo e duro ajuste fiscal, anunciado ontem à noite pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo.
No entanto, nem Cavallo nem o presidente Fernando de la Rúa especificaram a dimensão do "ajustaço", como está sendo denominado, e que estava sendo especulado entre US$ 3 bilhões e US$ 4,5 bilhões.
O presidente De la Rúa informou os argentinos que a partir de agora, o governo não gastará "um peso além do que arrecada". Referindo-se às privatizações em massa realizadas nos anos 90, ele disse que o país não poderá mais contar com esse tipo de fundos para financiar o Estado: "Já foi vendido tudo. Agora é preciso enfrentar a realidade".
Segundo ele, o setor privado não tem nada a temer, já que não será atingido pelo ajuste. "Todos os que estão fora da estrutura do Estado não farão nenhum esforço adicional. Eles já o fizeram". Para De la Rúa, o ajuste será sofrido pelo setor estatal, que terá que fazer "um esforço patriótico". O ajuste implicará em fortes reduções salariais, especialmente dos salários mais altos. Para tranqüilizar, o presidente disse que "não haverá demissões".
Com um tom duro pouco comum em sua voz, De la Rúa afirmou que agora começa uma era de duro combate à evasão tributária. "Os grandes sonegadores serão tratados como delinqüentes da pior espécie".
Segundo o presidente, será criado um corpo de juízes destinados unicamente a julgar quem evadir mais de US$ 1 milhão. De la Rúa disse que se estas medidas não forem tomadas, "implicaria em uma crise que causaria o sofrimento de todos".
Ele pediu, por segunda vez na semana, um pacto de "unidade nacional", e o apoio da oposição para realizar o ajuste fiscal, especialmente nas províncias.
Para mostrar que não pretende mudar as regras do jogo com os países vizinhos, De la Rúa disse que "a Argentina honrará todos seus compromissos com o Mercosul e contribuirá para a estabilidade da região".
O ministro Cavallo referindo-se ao leilão de Letras do Tesouro desta semana, no qual houve elevadas taxas de juros, declarou que "seria insensato continuar pagando as taxas de juros do mercado. Fazer isto, seria condenar os empresários e os trabalhadores à recessão". Cavallo disse que o país continuará pagando "pontualmente" suas dívidas, mas que para isso, já conta com um "financiamento garantido" que não explicou.
O ministro sustentou que a partir de agosto o déficit fiscal será de zero porcento, e que isso será conseguido, além do ajuste, através de um maior controle da evasão fiscal. O uso de bancos na Argentina é baixíssimo por isso, segundo o ministro, "um dos controles será através da bancarização do pagamento de todos os salários, aposentadorias e pensões. Os bancos se dispõem a não cobrar pela abertura de novas contas para os trabalhadores".
Cavallo também afirmou que não haverá desvalorizações, nem confiscos dos depósitos. O ajuste, o sétimo do governo De la Rúa, pretende constituir-se no sacrifício definitivo que apaziguará os mercados, desconfiados da Argentina desde o ano passado.
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