Depois da festa do título, a dura realidade: direção do Náutico enfrenta o desafio de substituir os heróis da conquista do campeonato que ficam sem contrato e vão deixar o clube
O Náutico conquistou, após onze anos, um título histórico e com uma campanha sensacional. De quebra, frustrou o sonho do hexacampeonato rubro-negro e manteve vivo, mais do nunca, o lema hexa é luxo. Mas, e agora? O que vai ser do alvirrubro daqui para frente? Conseguirá manter o elenco para o Brasileiro? O clube disputará a Série A ou a B? Os processos trabalhistas podem impedir que reforços sejam contratados. Os questionamentos devem passar a incomodar o torcedor timbu e fará, assim, que ele fique bom da ressaca das comemorações do título, o day after.
O presidente do clube André Campos se mostra otimista. "O título estadual desta temporada resgatou o orgulho do torcedor e nos dá condições de buscar apoio junto a outros alvirrubros para formarmos um grupo forte no Brasileiro", sinaliza para o fato de que necessariamente o clube precisará ainda mais de união interna no segundo semestre. Ele sabe que o futuro está condicionado por uma série fatores. Principalmente, a que abre a possibilidade do clube disputar a Primeirona.
"Seria fundamental jogarmos a Primeira Divisão. Só o Santa Cruz recebeu R$ 3 milhões pela cota de televisionamento. Com esse dinheiro, teríamos condições não só de manter o time atual como de reforçar algumas posições", alega o presidente. E se o Náutico não conseguir a vaga? "Aí, as coisas se complicam um pouco e teremos um semestre difícil", admite, salientando que a dificuldade de manter os campeões pernambucanos nos Aflitos seria financeira e motivacional.
Para que o clube não tenha que administrar este problema, André Campos garante que o Náutico vem fazendo o seu trabalho nos bastidores, enquanto aguarda que a Justiça confirme a presença do Remo na Primeirona. A decisão forçaria a CBF a convidar outras equipes para compor a divisão. "Se o Remo entrar e deixarem a gente de fora, aí nós vamos buscar a nossa vaga na Justiça. Mas, por enquanto, é melhor não comprar briga com a CBF para ver o que acontece", explica.
Além de correr atrás de uma vaga na Série A do Brasileiro, a diretoriaalvirrubra continua fazendo das tripas coração para administrar as dívidas trabalhistas. "Somente no primeiro semestre pagamos cerca de R$ 500 mil em ações trabalhistas", reclama, sabendo que a dor de cabeça continuará nos próximos meses. "Tivemos R$ 200 mil bloqueados na própria Federação, que iria nos repassar a verba do Futebol Solidário, e só numa partida com o Sport perdemos R$ 50 mil. Por isso, estamos resolvendo as pendências anteriores e fazendo de tudo para que outras novas não surjam", promete Campos e avalia que a dívida total do Náutico beira os R$ 5 milhões.