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Argentina vai tentar cortar gastos
Medo de calote do país é o maior em dez anos
BUENOS AIRES - O medo de calote argentino bateu ontem recorde histórico num dia em que o governo tentava renegociar sua dívida de curto prazo e procurava fechar um pacote de corte de gastos públicos. A crise financeira argentina chegou ontem perto de um clímax. Na noite de terça-feira, o superministro da Economia, Domingo Cavallo, admitira que o país não dispunha mais de crédito, interno ou externo. Ontem, o governo fora obrigado a pagar taxas recordes de juros para rolar sua dívida de curto prazo - e mesmo assim após concessões de bancos locais e com o auxílio do estatal Banco de La Nación.
Os mercados financeiros deram uma espécie de ultimato informal ao país. Sem enormes cortes de gastos, dificilmente continuarão a emprestar à Argentina ou a comprar os títulos de sua dívida.
Domingo Cavallo passou o dia entre discursos, ida à TV e reuniões para fechar um polêmico pacote fiscal. A crise de confiança pela qual passa o país em parte se deve ao conflito político na própria coalizão que sustenta o governo Fernando de la Rúa, a qual em parte se opõe a corte de gastos sociais. Daniel Marx, o vice de Cavallo, por sua vez negociava com os banqueiros um modo de adiar pagamentos da dívida de curto prazo para o ano que vem.
Logo pela manhã, houve uma forte corrida para a venda dos títulos da dívida pública argentina, que chegaram a registrar quedas em suas cotações superiores a 5% em poucas horas. O risco-país (sobretaxa paga pelo país ao tomar empréstimos em relação ao que pagam os EUA) fechou no nível recorde de 1.290 pontos, superando os 1.284 pontos de 23 de abril, quando havia boatos sobre a iminência de uma moratória.
A cotação do Global 2008, o principal título da dívida argentina negociado no exterior, caiu ontem 3,5%. A Bolsa de Buenos Aires, que chegou a registrar uma queda de 7,8% às 12h40, fechou em baixa de 2,2%. Cavallo passou o dia em reuniões para discutir as medidas a serem anunciadas à noite. Na terça-feira, o governo havia dado um prazo de 48 horas aos ministros para apresentarem planos de cortes, mas acabou por antecipar as medidas a fim de tentar acalmar o mercado.
Enquanto Cavallo negociava com seus colegas de gabinete, com governadores e com políticos aliados e de oposição, o vice-ministro da Economia, Daniel Marx, se encontrava no Ministério da Economia com representantes dos principais bancos argentinos para discutir alternativas para o financiamento de curto prazo do Tesouro Nacional.
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