O candidato ideal
O Éfe Agá disse para o Financial Times que uma vitória da oposição em 2002 não deve assustar os investidores estrangeiros porque o PT não é tão ruim assim e o PT vai anunciar que, se vencer, seu programa econômico será o atual com alguns ajustes, ou que o governo Éfe Agá também não é tão ruim assim. Violinos ao fundo etc. Tenho uma idéia para tornar o clima ainda mais cor de rosa: por que não lançar como candidato da oposição em 2002, para concorrer com o escolhido pela situação, barrar o Ciro Gomes e o Itamar e assegurar a continuidade do modelo, Fernando Henrique Cardoso?
Não sei como é a lei da elegibilidade quanto a um terceiro mandato, mas modificações da Constituição, como se sabe, podem ser compradas. Fernando Henrique tem um passado de luta na esquerda, como o Lula, com a vantagem de ter uma imagem mais aceitável para a classe média e o empresariado, melhor dicção e - depois de oito anos na presidência - a experiência administrativa que falta ao Lula. Como candidato da oposição, terá um palanque para expandir sua tese de que a culpa pela crise de energia é do PFL e do São Pedro, nesta ordem. Sua primeira declaração como candidato de uma coalizão de esquerda à sua sucessão seria "Esqueçam tudo que eu fiz e lembrem do que eu escrevi", desarmando qualquer tentativa de responsabilizá-lo pelo seu próprio governo.
Como não sabia do que se passava nem no gabinete do seu secretário particular e foi surpreendido com a notícia da falta de energia, entre outras, Fernando Henrique é dos poucos brasileiros com autoridade moral para dizer que nunca se envolveu com este governo - e para acusar o Itamar Franco, que inventou a candidatura de Éfe Agá, de ser o causador de tudo que está aí. Finalmente, o maior atrativo de Fernando Henrique Cardoso como candidato de uma frente de oposição comandada pelo PT é que, entre todos os candidatos, ele é o único que certamente manteria o Malan no Ministério da Fazenda.