O tema era telefonia, mas ao discursar ontem em solenidade na Telemar, o vice-presidente Marco Maciel (PFL) aproveitou a ocasião para fazer uma entusiasmada defesa do Governo federal, das privatizações e do legado que será deixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "É preciso que tenhamos o olho no retrovisor para percebermos que o Brasil mudou muito", disse Maciel. "O problema é que a velocidade das mudanças é tão grande que não dá tempo para pararmos e prestar atenção", completou.
A obra do atual governo, segundo Maciel, pode não estar sendo percebida no momento, porém "mais cedo ou mais tarde terá reconhecimento". Para ele, "O Brasil está avançando, está em crescimento, e não é um crescimento com soluços, de idas e vindas, mas um crescimento constante, seguro".
Fugindo ao seu estilo habitualmente comedido, Maciel chegou a bater com a mão na bancada durante o discurso, que durou pouco mais de 20 minutos. "Temos problemas, mas qual país não os tem?", perguntou ele, para em seguida, citando Tancredo Neves, afirmar: "A história de um país é a história de suas crises". Lembrou que, diferentemente do que já ocorrera com "países da Europa e da Ásia", o Brasil nunca teve "grandes crises", sendo este um motivo para se encarar com otimismo a realidade. "Maiores do que os nossos problemas, são as nossas potencialidades", ufanou-se ele.
Numa indireta à oposição, Maciel disse que em 1999, quando a economia do País foi submetida à desvalorização cambial, "muitos apostaram no fracasso", mas o resultado acabou sendo positivo.
A solenidade de ontem foi organizada pela Telemar para celebrar a marca de mais de um milhão de telefones instalados em Pernambuco. Maciel defendeu a privatização, a abertura da economia ao capital estrangeiro e a quebra dos monopólios. O apagão, na opinião dele, não teria vinculação com a privatização nem seria culpa de uma suposta falha em tratar do problema. "Nós estamos verificando que isso é resultado de uma irregularidade pluviométrica", disse ele. A crise do apagão teria até fatores positivos, de acordo com Maciel. "Eu acho que as crises têm uma força docente: elas ensinam. Essa está nos ensinando muita coisa", afirmou.