O Sindicato dos Operadores de Pernambuco (Sindope) entrou com mandado de segurança, com pedido de liminar, na 2ªVara da Justiça Federal, na quarta-feira passada, para tentar evitar que o Governo do Estado assine contrato com a International Container Terminal Service, a empresa filipina que ganhou a licitação do terminal de contêineres de Suape.
O juiz Francisco Alves identificou falhas no mandado de segurança do Sindope e solicitou as respectivas correções antes de dar qualquer parecer. A decisão do Sindope de recorrer à Justiça traz novamente à tona as discussões sobre o surgimento de um monopólio na movimentação de contêineres em Suape, que é um dos motivos alegados pelos operadores para tentar evitar a assinatura do contrato.
A decisão do Sindope de entrar na Justiça vai ser assunto da reunião de hoje do Conselho de Autoridade Portuária (CAP). O presidente de Suape, Sérgio Kano, diz que está tranqüilo porque o processo licitatório foi muito bem conduzido, mas critica o Sindope. Na opinião de Kano,atitudes como a do sindicato só trazem prejuízos a Pernambuco. E isso, segundo ele, será colocado na reunião.
Antes do Sindope, foi a vez de trabalhadores portuários tentarem barrar a licitação internacional do terminal de contêineres. No dia da abertura das propostas comerciais, o Governo teve que mobilizar vários advogados para agir rapidamente e derrubar a liminar caso a Justiça acatasse os argumentos dos trabalhadores. Não foi necessário. A liminar foi negada.
O advogado do Sindope, Romero Esteves, confirmou que deu entrada no mandado de segurança com pedido de liminar, mas não quis dar detalhes sobre o processo. Disse, entretanto, que a criação de monopólio é um dos argumentos.
Com a estadualização do Porto do Recife, crescem as especulações neste sentido. O Governo nega, mas lideranças dos trabalhadores portuários garantem que o projeto do Estado é desativar o terminal de contêineres no Recife, o que deixaria os filipinos praticamente sozinhos neste mercado em Pernambuco.