Pesquisa da Fiepe revela que racionamento ainda não produziu efeito negativo para maioria do setor
Catarina Lucrécia
DA EQUIPE DE DIARIO
A maioria das indústrias de Pernambuco ainda não está sentindo o reflexo do racionamento na produção. De um total de 116 empresas pesquisadas pela Federação da Indústria de Pernambuco (Fiepe), 60,3% garantem que não precisaram diminuir o ritmo de trabalho para economizar energia nos dez primeiros dias em que foram obrigadas a dar um freio no consumo. Já 39,7% responderam que houve reflexo na produção. E uma boa notícia para os trabalhadores. Pelo menos por enquanto, nenhuma demissão foi registrada ou atrelada à crise de energia.
A pesquisa revela outro dado importante. Das empresas avaliadas, 45,7% conseguiram trabalhar dentro da cota fixada para cada uma delas. Outras 25,8% não tiveram a mesma sorte e as 25,8% restantes não haviam contabilizado o consumo.
Das empresas que revelaram impacto na produção, 66,4% ainda não estimam o tamanho do reflexo. Poucas, segundo o estudo, conseguiram fazer esse cálculo. O maior impacto, de 42%, foi identificado por um número muitopequeno de indústrias. Por 2,5% das entrevistadas.
A pesquisa da Fiepe também procurou saber das 116 indústrias avaliadas qual é a perspectiva de redução de energia até o final do primeiro mês de racionamento. A resposta deixaria a Câmara de Gestão da Crise de Energia do Governo satisfeita. Segundo o estudo da Fiepe, 51,7% pretendem atingir uma redução de 20% a 27%. De acordo com as metas estipuladas, a maioria, 59,5%, tem que economizar 20% no consumo de energia.
Os geradores têm sido mesmo os salvadores da produção na indústria pernambucana. Durante os dez primeiros dias do racionamento, o equipamento foi a alternativa de 86,2% das empresas para continuar produzindo mesmo tendo que reduzir o consumo. O gás natural ainda é muito pouco utilizado. Aparece como opção para apenas 6,9%. Também é pequeno o número de empresas que têm hidrelétricas próprias, 6,9%.
Para o presidente da Federação da Indústria, Armando Monteiro Neto, os resultados chegam a ser de "certa forma" surpreendentes. O fato de as empresas estarem conseguindo administrar a redução de consumo sem interferir na produção e também o dado que mostra que 45,7% cumpriram a meta são importantes.
Armando Monteiro Neto diz, entretanto, que a pesquisa retrata apenas os dez primeiros dias do racionamento e é preciso ficar atendo aos impactos que a pesquisa não teve como refletir porque algumas empresas não deram resposta ou, simplesmente, ainda não tiveram como calcular os reflexos.
Por isso mesmo, segundo Monteiro, a Fiepe vai continuar realizando as pesquisas e insistindo nas respostas das empresas que não revelaram os impactos do racionamento.
A pesquisa da Federação da Indústria ouviu empresas de médio e grande porte no Estado. Dos 15 setores avaliados, os que têm mais peso no estudo é o metalúrgico, com a participação de 10,34%, e o de produtos alimentares, que aparece com 14,66%. No contraponto, o menor peso é o de perfumaria, sabões e velas, com a participação de 0,86%.