Edição de Terça-Feira, 19 de Junho de 2001
 
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Economia

BC vende dólares para segurar cotação

SÃO PAULO - O Banco Central teria vendido entre US$ 150 milhões e US$ 500 milhões ontem para tentar segurar a cotação do dólar no mercado. O dólar comercial encerrou negociado a R$ 2,452 (venda), o que representou uma valorização de 2,52% na cotação da moeda norte-americana, que chegou a ser vendida a R$ 2,474, antes da intervenção.

  As incertezas criadas pelo anúncio do câmbio duplo argentino, divulgado pelo ministro Domingo Cavallo (Fazenda) na sexta-feira, fizeram com que os bancos ficassem mais cautelosos, o que diminuiu a oferta de dólares no mercado.

  Essa foi uma das causas apontadas pelos especialistas para a forte subida da moeda norte-americana. O preço dos C-bonds, papéis da dívida externa brasileira mais negociados, caiu 2,34%, para 0,73 centavos de dólar. O prêmio de risco da Argentina (medido pelo índice Embi do JP Morgan) subiu de 9,26 pontos percentuais para 10,01 pontos.

  A venda de dólares promovida pelo BC teria sido para diminuir a escassez de moeda. Na avaliação de Marcelo Schmitt,gerente da mesa de câmbio do banco Lloyds, o BC vendeu cerca de US$ 300 milhões em papel moeda. Outros dois operadores calcularam a intervenção em US$ 150 milhões e US$ 500 milhões, respectivamente. Quantidade pequena se comparada às vendas da semana passada, quando o mercado comprou do BC US$ 4 bilhões em títulos públicos corrigidos pelo câmbio.

ANÚNCIO - O presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo menos outras cinco autoridades brasileiras sabiam que o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, mudaria as regras cambiais do seu país. Ao passar por Brasília, na última quarta-feira, Cavallo explicou em pelo menos duas reuniões que o setor exportador iria operar com um câmbio mais favorável que o estabelecido pela regra da conversibilidade. Pela decisão de Cavallo, um peso deixou de valer um dólar para as operações de comércio exterior. Continua valendo um dólar para as demais transações. Na reunião que teve antes de almoçar com FHC, Cavallo contou seus planos ao ministro Pedro Malan (Fazenda), ao secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, e a dois diretores do Banco Central, Ilan Goldfajn (Política Econômica) e Luiz Fernando Figueiredo (Política Monetária). Os diretores representavam o presidente do BC, Armínio Fraga, que se recuperava no Rio de uma conjuntivite.

 








 

 
 
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