Tatiana Meira
Da equipe do DIARIO
Impossível ouvir o novo disco do cantor e compositor carioca Dudu Nobre, 27 anos, e não lembrar do trabalho de outros sambistas famosos. Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Almir Guineto são algumas das comparações inevitáveis. "Dou continuidade ao trabalho deles", admite o jovem sambista, que continua sua batalha de modernizar o samba tradicional em Moleque Dudu. São 15 faixas, sendo 11 de autoria de Dudu Nobre.
Junto com Zeca Pagodinho, por exemplo, ele criou Bom Pra Nós Dois, Enfim, um sambinha romântico, que trata da tradicional busca por uma alma gêmea. O cantor até fica feliz com as comparações, embora reclame da falta de bons pagodeiros de sua geração, daqueles que se dedicam ao samba de roda.
A inspiração para a música de trabalho do disco, Estava Perdido Num Mar, veio por acaso. No dia do seu aniversário, Dudu recebeu um recado de uma fã no telefone celular. "Ela pedia um pedaço do meu coração e comecei a fazer a letra em cima disso", conta.
Em Blitz Funk, uma parceria com Aldir Blanc, Duduabusa das gírias da malandragem carioca. Neste samba, onde fala de um sujeito parado por uma blitz na saída de um baile funk, ele inova ao colocar uma participação do DJ Negralha, da banda de rock O Rappa.
O único pout-pourri do disco está na faixa nove (Seu Olegário e Casa de Dona Fia). Estes sambas eram sucesso no pagode da Cirene, no Morro dos Macacos, e no pagode de Dona Fia, no Salgeiro, e fizeram parte da adolescência do compositor.