Município catarinense pode ser considerado uma réplica do Rio de Janeiro, com praias, verde e badalação
Jailson da Paz
Enviado Especial
Com monumentos e nomes de ruas que lembram o Rio de Janeiro, Balneário Camboriú bem que merecia uma exaltação ao estilo da que Gilberto Gil fez à capital carioca. Afinal, como o artista afirma na música Aquele Abraço, o município catarinense também "continua lindo". Consciente disso e atendendo ao adágio popular de que o que é belo deve ser mostrado, a cidade não se acanhou e decidiu exibir toda a beleza natural de suas praias. O resultado pode ser visto pelos visitantes que cruzarem a recém-inaugurada linha de acesso ao mar, batizada de Interpraias.
Ao longo de 16,5 quilômetros, entrecortados por serras, Mata Atlântica e lugarejos - com casas de madeira - que lembram os primeiros colonizadores da região, o turista pode dar uma paradinha e mergulhar em seis praias. A primeira delas, a de Laranjeiras, é de encher os olhos. À distância, o mar se confunde ao verde da mata, que pode ser explorada através da Trilha Ecológica Toca do Urso. Nos 1,5 mil metros da trilha, o visitante pode se deparar com cotias, lontras, quatis, gralhas e sabiás. Se atentos aos detalhes, os aventureiros poderão perceber amoladores de lanças e facas feitos nas pedras, há centenas de anos, pelos índios.
"Foram essas coisas que me prenderam aqui", confessa Adilson Mateus Gomes, 36 anos, e que coincidentemente tem o apelido de Urso. Ele deixou a família no Rio Grande do Sul e se tornou uma espécie de eremita da região, onde cuida da trilha e consegue parte do sustento com mariscos. É um privilegiado. De sua cabana de madeira, erguida sobre as pedras, pode acompanhar a chegada e a saída dos barcos e escunas no pequeno píer de madeira, os movimentos dos pescadores e dos teleféricos que sobrevoam parte do Morro da Costa Brava. A baia de Laranjeiras mede menos de um quilômetro.
Metros adiante, a surpresa fica por conta de Taquarinhas. A praia de areia grossa, ao contrário da vizinha Taquaras, é totalmente deserta. Desafio maior, entretanto, é mergulhar nas águas da praia do Pinho. Não pelo mar aberto, mas pela coragem de tirar a roupa. Isso mesmo! Pinho, com 450 metros de extensão, é pioneira na prática do nudismo no Brasil. "Por dia, no Verão, cerca de quinhentas pessoas jogam as roupas para o ar e ficam como vieram ao Mundo", diz o administrador Ilzo Fonseca, 43. Em caso de dúvida para se despir, avisa Fonseca, as pessoas podem ficar um tempo no setor de adaptação. A viagem pela Interpraias termina no sossego de Estaleiro e Estaleirinho.
CULINÁRIA - Mas esse sossego não é bem a tônica da praia Central de Balneário Camboriú. À margem dos seus 6,8 quilômetros, entre um e outro mergulho, pode-se provar da culinária diversificada ou dançar desde o tecno, o rock, o forró ao pagode. Tudo regado à cerveja e ao chope, como na badaladíssima cervejaria Mein Bier - com espaço para abrigar 2,5 mil pessoas - ou à cachaça mineira. A explicação para tanta versalitilidade, segundo o prefeito em exercício, Rubens Spernau, está na quantidade de turistas que o lugar costuma receber. Na última temporada, por exemplo, 1,65 milhão esteve na cidade, aumentandoem mais de 18 vezes a população, hoje estimada em cerca de noventa mil.
No meio a tal efervescência é possível se refugiar, por alguns minutos, em um dos 47 bondinhos que percorrem os 3.250 metros que ligam a Estação Barra Sul - na foz do rio Camboriú - à praia de Laranjeiras. A parada sobre a Mata Atlântica, ao som do mar e dos pássaros, podem até causar medo, mas são inesquecíveis para quem vive o estresse das cidades grandes. No outro extremo, no monumento Cristo Luz, também se pode contemplar a beleza desse pequeno recanto catarinense. Aos pés da estátua de 33 metros de altura, que ilumina a paisagem urbana com um facho de luzes, parecemos pequenos, mas vem a certeza de que valeu a pena ir ao Balneário Camboriú.
n O jornalista viajou a convite da Prefeitura
Municipal de Camboriú