Pais e educadores não chegam a acordo sobre games
Neusa Rodrigues
DA EQUIPE DO DIARIO
A geração de crianças e adolescentes fissurada por jogos eletrônicos é uma preocupação constante na vida de pais e educadores. Seja por conta de lançamento de novos games ou consoles, tudo é desculpa para aumentar o tempo que eles passam na frente do monitor. Muitos pais perdem o controle da situação e não sabem como limitar o horário que os garotos podem utilizar os joguinhos. Outros entram na onda e aproveitam o tempo livre para se juntar aos filhos nas jogatinas.
O adolescente Diogo Araújo, 17, joga desde 6 anos. O velho e bom Atari foi o seu primeiro companheiro. Depois veio o Nintendo e agora está jogando no Dreamcast do seu cunhado, isso sem falar dos games para PC, que ele também é adepto. "Adoro jogar. Já fiquei das 19h até às 5h no console sem parar", conta. Essa não foi a única vez que o estudante virou a noite. Para se livrar das broncas da mãe, toda vez que via movimento na casa e achava que ela iria acordar, corria para o quarto e fingia que estava dormindo.
Mas nem sempre Araújo saiu ileso. "Quando passava muitas horas com meu primo jogando, mamãe falava que se eu continuasse assim, entraria de castigo", explica. Algumas vezes, a ameaça se concretizou e o castigo máximo de não tocar no micro ou nos consoles para jogar foi colocada em prática.
"Não acho que jogo demais. Em geral, quando viro a noite é no final de semana", opina. Para resolver o problema de ocupar por muito tempo o micro jogando, Araújo combinou com suas duas irmãs para dividir o horário de utilização.Agora que está no ano de fazer o Vestibular, diminuiu significativamente o tempo de jogo. Ele pretende voltar à ativa no próximo ano.
Há três anos, a administradora de empresas Valéria Meira Lins comprou o primeiro console para a sua casa por adorar jogar. O seu filho Pedro, na época com 4 anos, serviu mais como desculpa para que ela adquirisse o objeto de desejo. "Meu filho é viciado em games. Sempre que eu posso sou uma de suas parceiras", diz.
Além do joguinhos para computador, os dois gamemaníacos da casa possuem um Nintendo 64, Supernintendo e um Game Boy. "Já levei bronca da minha mãe por jogar muito com o Pedro", informa Valéria. A administradora acredita que o fato dela ser apaixonada por games ajuda a entender o interesse do filho.
A mãe está preocupada com Pedro apenas no final de semana, mas disse que está se preparando para tomar providências e diminuir o tempo de jogo do garoto. "No sábado e domingo, se deixar ele passa o dia todo jogando. Tento chamá-lo para ler ou brincar com Lego, mas ele só quer brincar no console", avisa.