Ana Braga
Da equipe do DIARIO
No mundo globalizado, duendes, fadas, bruxas e gnomos, personagens de culturas milenares, estão em alta e têm mercado consumidor garantido. O boom dos empreendimentos esotéricos - hoje, um leque de produtos e serviços - ganhou fôlego no Brasil há uma década e, contrariando as expectativas mais pessimistas, mostram-se um nicho promissor, que sustenta autônomos e pequenas empresas.
Há dois anos, o artista plástico Nino Duscasttel, 40, tem a natureza como única fonte de renda. Nino produz, no atelier montado em casa, o que chama de mini-cascatas. Com elementos naturais, como pedras e plantas, e personagens do esoterismo, como anjos, gnomos e fadas, ornamenta as miniaturas. "As cascatas custam a partir de R$ 70,00. Estou prestes a entregar uma encomenda que vendi por R$ 2 mil", diz. Mas não existe uma renda fixa por mês porque dependo muito de encomendas.
Nino coloca o trabalho à mostra em feiras, exposições e lojas. Assim também faz a artista plástica e arquiteta Gilda Andrade. Mas ela conta ainda com oatelier Casa de Sol, espaço que divide com outros profissionais, como ponto de venda. Além de produzir, Gilda dá oficinas de pintura, batik e estamparia. "Esse trabalho significa 60% dos meus rendimentos. Com o que ganho, pago o espaço e ainda as duas pessoas que me ajudam".
Já a produção do artista plástico Fernando Antunes tem destino certo: lojas de esotéricos. Apesar de ser autônomo, Fernando conta com duas pessoas na mão-de-obra da oficina, no regime de free lancers. Mensageiros do vento, fontes e baguás. Tudo é feito em resina. "Esses produtos nessa matéria-prima tornam a produção pouco comum no estado", destaca. A venda dos esotéricos significa, no mínimo, 30% do rendimento da casa. "As datas comerciais, como dia das mães e Natal, podem até dobrar esse percentual".
Os estudantes João Paulo Vila Nova, 19, e Sílvio Eduardo, 18, encontraram uma chance de faturar com esotéricos num congresso de micro e pequenas empresas. "Fizemos contato com a Nirvana, uma empresa que é a terceira maior indústria de velas do Nordeste, e passamos a representar os produtos", lembra João Paulo. A fábrica da Nirvana fica em Serra Talhada e fatura R$ 70 mil por mês (valor bruto) e distribui para todo o País. Produz 4 mil velas de arte e 120 mil velas industriais mensalmente, com um staff de vinte pessoas. "Estamos representando há pouco mais de uma semana. Estamos na fase das visitas e apresentação do catálogo".
Serviço
Fernando Antunes - 3432.5523
Gilda Andrade - 3228.0152
João Paulo Vila Nova - 3228.2459
Nino Ducasttel - 3361.0760