(Atualizado no dia 04/06/2001)
 
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Inventando o futuro

Simon Franco

Nas atividades cotidianas há espaço para invenção. Se você encontrar uma nova forma de organizar o fluxo de documentos em sua empresa e com isso aumentar a produtividade, você estará na frente da concorrência. Se descobrir um detalhe que torna seu produto mais atraente do que os similares, ele vai vender mais do que os outros. Por que as pessoas entram para o Guinness? Não é porque conseguiram grandes feitos, mas por atingirem um pouquinho a mais do que já tinha sido alcançado. Para isso empenharam todas as suas energias, criatividade, treinamento.

A invenção do futuro é também a descoberta de reformulações nos modos de vida e de produção, a criação de produtos, métodos e funções inusitados, mas que se tornam fundamentais assim que surgem. Há casos de inventores cuja descoberta partiu da intuição.

Segundo uma das versões, as bandejas de comida de avião foram criadas por um office boy. Na hora do almoço, vários empregados do escritório pediam-lhe que fosse comprar comida e lhe davam uma gorjeta. Logo, ele percebeu que no mesmo prédio havia pessoas interessadas em comprar lanches e passou a atender em vários andares do edifício. O office boy deixou o emprego para se tornar entregador de lanches. Mas ele precisava fazer várias viagens entre a lanchonete e o prédio, o que lhe impedia de ampliar a clientela. Além disso, muitos lanches chegavam frios, gerando reclamações. Ele inventou bandejas encaixáveis, acondicionadas em um carrinho térmico. Em suas férias, pôde viajar de avião, e percebeu que sua invenção atendia ao serviço de bordo. Criou uma empresa que foi a primeira fornecedora de comida em avião. Conseguiu ver de forma diferente.

Trata-se de se criar mentalmente cenários aparentemente absurdos e encontrar soluções para os seus problemas. Muitas vezes a idéia de um se encaixa perfeitamente ou complementa a de outro. Na Idade Média, o bobo da corte era a única pessoa que podia dizer ao rei qualquer coisa, todas as verdades que ninguém tinha coragem de pronunciar, sem ser punido. Eu sugiro que se crie a figurado "louco da empresa". Não precisa ser uma pessoa contratada para delirar, mas, um grupo de funcionários que se reúna com freqüência para criar coisas absurdas. Ao lado de planejadores e estrategistas, que têm seu tempo cada vez mais reduzido, surgiria a função do visionário.

Do ponto de vista individual, crie o hábito de fazer anotações das idéias que passarem por sua cabeça. No dia-a-dia, acostume-se a inverter seus próprios pontos de vista antes de tomar qualquer decisão. Foi vendo o mundo de forma diferente que os grandes inventores agiram.

*Diretor na América Latina da TMP Worldwide, colunista da revista Exame, autor de Criando o próprio futuro (Ed. Ática), conferencista no 21º Simpósio Gape de Atualização Empresarial e VII Encontro sobre RH nas Estatais, dias 25 e 26.

Sábados & Saberes

No auditório da Sociedade de Medicina de Pernambuco (Rua Oswaldo Cruz, 393), dia 7 de julho, das 9 às 11h30, a 25ª edição do Sábados & Saberes. O trabalho Simuladores Gerenciais para Facilitação do Processo de Aprendizagem Organizacional será apresentado por dois conferencistas: Antonio Carlos Valença, doutor em comportamento organizacional pela Case Western University (EUA); consultor internacional pelo Symlog Consulting Group, de San Diego, Califórnia; diretor de Valença & Associados; autor, entre outros, do livro Eficácia Profissional. O outro conferencista, João Gratuliano Glasner de Lima, é formado em ciência da computação pela Unicap, com especialização em análise de sistemas; concluiu a formação de consultores organizacionais de Valença & Associados, empresa da qual é diretor; sócio-gerente da Grafox Consultoria e Treinamento; consultor internacional pelo Symlog Consulting Group. O Gape oferece um coffee break. A entrada é franca. Reservas: 3441.2343 (Multioffice).

DaMatta no Recife

PhD em antropologia pela Universidade de Harvard, Roberto DaMatta é presença confirmada na mesa redonda "Serviço Público: Gestão para a Eficácia", junto com Maurício Costa Romão, secretário de Administração e Reforma do Estado e Nilode Melo Lins, presidente do IRH-Instituto de Recursos Humanos do Estado de Pernambuco, durante o VII Encontro de RH nas Estatais, dias 25 e 26. DaMatta é o autor mais citado das ciências sociais brasileiras. No campo da administração pública está presente na prática pedagógica e no campo da consultoria, buscando iluminar a dialética e os impasses entre a formalidade e o "jeitinho", a impessoalidade e o personalismo, o organograma de papel e o "humanograma". Leciona no mestrado da UFRJ e na Universidade de Notre Dame, em Indiana, EUA. Autor de inúmeros livros traduzidos em várias línguas.








 

 
 
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