Edição de Quarta-Feira, 30 de Maio de 2001
 
Início Diario de Pernambuco Viver LIVRO

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Assinaturas e Renovações
 
Expediente
 
Edições Anteriores do Diario de Pernambuco




Viver

LIVRO

A múmia e os fragmentos da História

Adriana Dória Matos
Da equipe do DIARIO

No primeiro, podia ser uma espécie de revelação. No segundo, uma coincidência. Mas, no terceiro, não dá mais para se enganar: Fernando Monteiro confirma um estilo. O autor de Aspades, Ets & Etc. e Cabeça no Fundo do Entulho reforça seu gosto pela erudição moderna e arqueologia literária em A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro, seu novo romance, que acaba de ser publicado pela editora Globo.

  "Essas coisas fazem parte de mim", diz Monteiro, referindo-se à diversidade de informações históricas e folhetinescas que estruturam o romance. Ele fala assim para defender-se de possíveis acusações de esnobismo. "O universo da alta cultura, da arte, está no meu mundo interior".

  É verdade também que, ao lado da identidade com o refinado ambiente da alta cultura, habita o autor uma atração por tipos e fatos misteriosos e velados, tal como afirma personagem de A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro: "Sou curioso por natureza. E alguns acontecimentos que me interessam parece que adivinham isso, a seu modo misterioso de acontecimentos imantados, direto para o centro gravitacional da minha curiosidade: fatos, documentos, as coisas que chegam da forma mais inesperada, quando não sei do que preciso mas sei que alguma coisa falta".

  Esta múmia que dá título curioso ao romance de Monteiro é rara e existe. Ela foi o elemento de partida para uma história fragmentada, que mescla realidade e ficção, onde estão presentes personagens de diversos matizes e que viveram diferentes períodos da história, desde o começo do século XIX, com as escavações no Egito, passando por momentos pontuais do século XX, no Brasil, em Portugal e na Rússia. "Eu queria quitar com os pioneiros da arqueologia e com a atmosfera do século que acaba de passar e do qual nos distanciaremos rapidamente", resume o autor.

  Fernando Monteiro encontrou notícias sobre um tal russo Dmitri Vonizin, que chegou ao Brasil no início do século passado sob o pseudônimo de Alberto Childe e que ocupou o cargo de conservador-chefe da coleção de antiguidades do Museu Nacional do Rio de Janeiro, do qual fazem parte não só a tal múmia do rosto dourado, mas oito mil peças egípcias. Mas até que Childe dê as caras no romance e se transforme no personagem central, são inúmeras as passagens e desdobramentos da trama.

  Dentro de sua estrutura fragmentada, o romance conta com ricos personagens secundários, apóia-se em notícias recortadas de jornal, poemas inventados e numa irônica comunicação do autor com a obra, através de notas de rodapé. "Tenho a impressão de que escrevemos sobre a escrita", sugere Monteiro. "Este é um enfoque possível para a literatura contemporânea. Corto a narrativa porque desconfio dela, para que se exponha tecidos e nervos". Ganha o leitor, que fica com a história inventada e com a invenção do texto.

Serviço

A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro, de Fernando Monteiro

Editora: Globo (248 páginas)








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br