(Atualizado no dia 29/05/2001)
 
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Viagem

Praga é para quem acredita em fadas

Arquitetura, belezas naturais e vocação cultural fazem da capital da República Tcheca um roteiro imperdível no Leste europeu

Lydia Barros
Da equipe do DIARIO

Tudo o que você ouviu falar sobre a cidade de Praga é verdade. Sem exageros. A capital da República Tcheca parece mesmo saída de um conto de fadas. Tem todos os encantos que fazem a fama das cidades européias mais conhecidas, mas é diferente. E não apenas pela beleza monumental do seu conjunto arquitetônico, pelo desenho harmonioso das pontes que cortam o rio Vltava ou pelo testemunho histórico que ela nos dá. Praga é alegre, musical, cultural. É uma experiência que deve ser vivenciada sem pressa, no ritmo da contemplação... ou do jazz tocado nas ruas, da música clássica reverenciada nas igrejas ou simplesmente do silêncio que rompe quando o sol se esconde.

  É uma cidade que está na moda entre os brasileiros, mas que o turismo ocidental começou a descobrir em 1990, quando Moscou retirou suas tropas do território ocupado desde 68. Dois anos depois, separada da Eslováquia, nasceu a República Tcheca, sem deixar ranços aparentes de autoritarismo e sisudez. Uma prova disso está na calorosa Praça da Cidade Velha,onde estão concentrados alguns orgulhos do povo tcheco. Um deles é o relógio astronômico que marca as horas redondas com um desfile sincronizado de apóstolos de madeira e ainda o movimento do sol e da lua pelos signos do zoodíaco - foi construído no século 16 e, reza uma das tantas lendas da cidade, seu inventor teve os olhos arrancados pelo rei para que não repetisse o feito.

  Na praça, uma espécie de lego, miscelânia de pequenos edifícios nos estilos gótico, barroco, renascentista, art nouveau e neoclássico, também está a impressionante catedral de Nossa Senhora Diante de Tyn, com torres góticas cinematográficas e uma curiosa entrada, escondida pelo casario e, ainda, o histórico Café Milena, onde o autor de A Metamorfose costumava passar suas horas. Sim, porque Franz Kafka é um outro orgulho da cidade. Mas os tchecos também celebram a invenção da cerveja - uma atração a parte - e da lenda judaica do Gólen, e ainda, o fato de ter servido de cenário para o desenvolvimento da Teoria da Relatividade (Albert Einstein viveu ali entre 1912/13) e do Prêmio Nobel da Paz. É mole?

  Pertinho dali, caminhando pelas ruas estreitas e sinuosas da cidade velha, chegamos a outro ícone tcheco: a ponte Carlos (Karluv most), verdadeiro monumento vivo adornado por estátuas sacras enegrecidas pelo tempo e fortificada por duas belíssimas torres góticas. A ponte abriga os artistas da boemia e uma legião de turistas. É um caminho para atravessar muitas vezes num mesmo dia, sentar e ficar à toa, com aquela sensação de que você está vivendo um momento único.

Eleita cidade cultural da Europa ano passado, Praga continua respirando cultura. Uma vocação natural que remete a Kafka, a Mozart (que também viveu na cidade), a Milan Kundera (outro filho ilustre), a artistas anônimos que passeiam por suas ruas. A musicalidade está no ar, mas ali também é forte a tradição do teatro de luz negra e de marionetes. Shows, concertos, recitais, peças e espetáculos de bonecos acontecem em toda parte. Como saber da programação? Basta mostrar a carana rua e receber de braços abertos os panfletos e flyers distribuídos em cada esquina - um bom programa, em média, por US$ 10. Se quiser organizar melhor o roteiro cultural, a pedida é comprar os tickets nos guichês específicos.

  Mas o verdadeiro deslumbre de Praga não se encerra em museus, teatros ou igrejas. É um espetáculo à céu aberto que você pode conhecer em três dias de caminhadas. Não deixe de visitar o Alto de Malá Strana, de onde tem-se uma panorâmica de telhados acobreados e agulhas góticas, cercados por bosques e onde está o castelo de Praga - o maior, entre os mais velhos do Mundo.

  Trata-se de um complexo de palácios, igrejas, fortificações e prédios residenciais, com traçado de um pequeno bairro. Começou a ser erguido no século 9 e foi habitado por todos os reis da Morávia. Lá também morou o escritor Franz Kafka, na casa de número 22 da Linha do Ouro, ruela que atrai os turistas com suas casinhas coloridas e muitas histórias. A rua era habitada pelos ourives do castelo, aqueles que, durantecerto tempo, trabalharam para transformar chumbo em ouro. Eram ordens reais.

  Outro deslumbre de Malá Strana: a catetral de S. Vítor. O turista faz ali uma sessão de cromoterapia através de vitrais de colorido original. A catedral, guardada por gárgulas sombrias, começou a ser construída em 1344 e só foi concluída quase 600 anos depois. Abriga criptas de reis boêmios e trabalhos tão valiosos que seu patrimônio não pertence à igreja, mas ao Estado. Absolutamente imperdível.


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