Edição de Quarta-Feira, 30 de Maio de 2001
 
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Até o próximo mês, chegará às farmácias brasileiras o primeiro medicamento específico para tratamento de câncer no sangue. a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deverá aprovar no dia cinco de junho o pedido de registro do medicamento Glivec. O DIARIO mostra como age a nova droga, que combate a leucemia mielóide crônica, responsável por 15% das leucemias em adultos

uem sofre de câncer no sangue - ou leucemia mielóide crônica (LMC) - costuma ter apenas duas alternativas de tratamento. Para pacientes com menos de 40 anos e com doador compatível, é feito o transplante de medula óssea, cujas chances de rejeição são em torno de 40%. A segunda alternativa é um medicamento chamado interferon, que consegue sucesso em cerca de 20% dos casos, mas causa efeitos colaterais bastante agressivos ao organismo, como dores de estômago e vômitos. Está prestes a chegar ao Brasil a terceira alternativa. A partir do próximo mês, os pacientes terão uma nova chance de vida com a entrada do Glivec, medicamento desenvolvido pelo laboratório suíço Novartis. "A droga dispensará as outras estratégias para combater à doença", diz Brandeley Cláudio, diretor médico da Novartis. Nos Estados Unidos, um jovem se livrou da doença depois de quatro meses de tratamento com o Glivec.

  A droga é a mais recente esperança para os doentes de câncer. Porém, não há regra geral para cura. Segundo Daniel Tabak,diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), existem casos no Brasil em que a leucemia parece resistir à nova droga. "No futuro, o Glivec terá talvez de ser associado a outros medicamentos para otimizar os seus efeitos", afirma Tabak.

  

estudo - A leucemia atinge cerca de quatro mil pessoas anualmente no Brasil. O estudo clínico do Glivec começou em outubro do ano passado e continua até hoje em cinco centros. Nessa etapa, conhecida também como fase II (último teste antes do medicamento ir para as prateleiras), 1,2 mil pacientes em todo o mundo se submetem aos testes. A nova droga é administrada em pacientes sem chances de transplante e que não respondem ao interferon. Na fase blástica, último estágio da doença, o novo medicamento conseguiu a melhora de 40% dos pacientes. Em doentes em fase crônica e acelerada, os índices são melhores: 98% e 60%, respectivamente.

  Os Resultados do Glivec na fase I - que analisa a toxicidade de uma droga e foi concluída em junhode 1998 na Europa - indicavam bons resultados. O estudo feito com 84 pacientes que se tratavam com interferon e começaram a tomar Glivec apontou que tais pessoas apresentaram 100% de eficiência nos exames que medem a normalidade das células sangüíneas e 50% de redução dos defeitos genéticos no cromossomo causador de leucemia.


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