Edição de Quarta-Feira, 30 de Maio de 2001
 
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Política

Jarbas formaliza desconforto no PMDB

Governador diverge da posição nacional do partido em apoiar a candidatura de Itamar Franco

O governador Jarbas Vasconcelos aproveitou a sua passagem por Brasília, ontem, para acumular forças junto ao PMDB nacional e começar a formalizar o seu incômodo com o rumo que o partido vem tomando, cada vez mais firme em direção ao lançamento da candidatura presidencial de Itamar Franco, governador de Minas Gerais. De acordo com a própria assessoria do Palácio do Campo das Princesas, o governador quer que o PMDB defina logo se rompe com o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem ele é afinado e conversou no final da tarde. A seu ver, se o partido for para a oposição deve entregar os cargos que ocupa no Governo federal, por uma questão de coerência.

  A assessoria palaciana assegurou que Jarbas não tratou do assunto com FHC. Segundo DIARIO apurou, o governador deseja uma definição do PMDB antes da convenção nacional, prevista para acontecer justamente em setembro, bem perto do prazo final para os candidatos às eleições de 2002 definirem por qual partido vão disputar os seus mandatos. Como se sabe, Jarbas não é simpático à candidatura de Itamar Franco. Divergiu dele reiteradas vezes. Porém, esta candidatura vem tomando corpo.

  E aí, Jarbas pode se ver diante de uma circunstância em que tenha que sair do PMDB para o PSDB ou até mesmo o PPS do presidenciável Ciro Gomes, para quem ele nunca fechou as portas. Há um consenso geral de que uma de suas maiores preocupações hoje é com a inteferência do quadro político nacional no local. O governador não estaria sozinho nisso. Junto com ele estariam os demais governadores do PMDB, sobretudo os do Nordeste, com os quais é afinado. Em Brasília, crescem os rumores de que o ex-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Brito, cuja posição é parecida com a de Jarbas no PMDB e é seu amigo pessoal, está indo para o PPS.

  No plano local, aliados do governador observam que, se ele for para o PSDB, este partido não terá mais espaço na chapa majoritária, porque já terá o principal posto, o PFL fica com as vagas de vice e senador e o PMDB ganha a outra vaga do Senado. Se ele forpara o PPS, prevêem as mesmas fontes, o palanque se amplia e, obviamente, o PPS não terá direito a mais nada na majoritária. Nos círculos mais restritos do governo, comenta-se que em qualquer composição, o candidato majoritário da preferência de Jarbas é o seu vice Mendonça Filho e não o vice-presidente Marco Maciel, devido à sua imagem de político ligado há mais de trinta anos ao status quo.


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