Edição de Quarta-Feira, 30 de Maio de 2001
 

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Opinião

A bandeira e o PT

A bandeira brasileira é um dos mais fortes e significativos símbolos nacionais. Colocar ratos comendo guloseimas sobre o verde-amarelo é radicalizar no limite do insuportável o achincalhe do patrimônio moral de um país. O Partido dos Trabalhadores está promovendo esse insulto aos brasileiros no filmete que exibe em horário nobre a título de propaganda eleitoral.

  Agredir a consciência cívica do Brasil não constrói futuro melhor. Não coloca um único tijolo na estrutura do amanhã mais justo e menos desigual. Ao contrário. Desrespeita a bandeira, despreza símbolos e prega a desobediência. Não esclarece o eleitor, nem passa a imagem de que o partido tenha encontrado os caminhos para o desenvolvimento auto-sustentado. Ao lado dos muitos problemas nacionais, o filmete do PT apenas revela indigência cultural e baixa percepção das necessidades políticas do Brasil.

  Aqui ou em qualquer outro lugar do mundo civilizado, o debate político é a reunião dos antagônicos no mesmo espaço. Há normas definidas e limites que devem ser respeitados. O País pertence aos cidadãos. A nenhuma agremiação política é concedido o direito de criticar a cultura, os hábitos e os mais caros símbolos nacionais em nome do proselitismo. O recurso não homenageia a inteligência de seus autores e tem conseqüências contraditórias.

  O eleitor vota em candidatos e partidos. Mas continua vivendo no Brasil e se comportando como brasileiro. Qualquer jogo de futebol mais ou menos importante é precedido pelo hino nacional. Qualquer evento que tenha alguma solenidade somente se inicia depois que a bandeira brasileira é colocada no ponto mais alto do mastro. São símbolos que permanecem no inconsciente coletivo. O cidadão gosta de seu País e não admite que sua representação seja conspurcada por grosseira manobra partidária.

  Os ideólogos do Partido dos Trabalhadores precisam encontrar novo rumo. Luiz Inácio Lula da Silva caminha para disputar a quarta eleição consecutiva para a presidência da República. Perdeu as três anteriores. Em todas elas, saiu na frente,segundo os institutos de pesquisa de opinião, e foi derrotado no final do processo. No último pleito, à medida que a crise cambial se aproximava, a percepção do eleitor foi a de que o candidato do PT não teria as condições mínimas para administrar o problema.

  O fenômeno pode se repetir por uma vez mais. Agredir os símbolos nacionais não é fazer política. É insultar o cidadão e desrespeitar o eleitor. Não é manobra eleitoral eficaz. Não diz nada. Desqualifica quem a propõe. E revela indigência cultural além de inexistência de propostas efetivas que conduzam o Brasil a um porto seguro. Programas eleitorais desse quilate apenas reforçam no eleitor a certeza de que o Partido dos Trabalhadores ainda não está preparado para o jogo democrático. Nem para assumir o poder.

Artigos

Trânsito do Pina: solução em julho?


José de Britto

Engenheiro consultor de projetos

Sendo a população a principal interessada também nas soluções efetivas das questões do trânsito, inclusive no que concerne às garantias da pronta retomada da fluidez nos eixos viários do Pina, faz-se necessário que haja conscientização do que vem ali acontecendo e quais as providências que há muito deveriam ter sido implementadas (pelo menos desde meados de 1999), para a imediata resolução desta questão, plenamente superável, na metrópole recifense.

  Em meados do 1º semestre de 1999, encaminhamos proposta da reengenharia de trânsito do Pina para a EMTU, a qual estava desde então credenciada para fazer e responder pelo planejamento e gerenciamento do trânsito no Recife. Esta prerrogativa municipal, que proximamente estará sob os cuidados da CTTU (Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do município) continuava no âmbito estadual, posto que tal responsabilidade estava sendo transferida do Detran, estadual.

  Concernente à proposta acima, se algum avanço houvenaquele período, no âmbito interno da EMTU, nada surgiu publicamente. Assim, reencaminhamos a mesma proposta da reengenharia à EMTU, um ano depois, em 2000. Nesse ínterim, estivemos com o então dirigente da empresa e também recebemos uma correspondência sucinta de seu diretor de Trânsito.

  Em Junho de 2000, tivemos conhecimento de que finalmente a EMTU havia elaborado (e concluído em maio), uma modelagem para o trânsito do Pina, através da metodologia "Transyt", a qual numa sua opção, indicou basicamente a implantação do binário Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, o que tem como conseqüência a supressão dos sinais de trânsito nos eixos destas com a Herculano Bandeira e a Antônio de Góes.

  A reengenharia de trânsito do Pina, como apresentamos e argumentamos desde 1998, propõe as seguintes providências: o binário (sendo a Domingos Ferreira no sentido único Sul com uma faixa de ônibus, a Conselheiro Aguiar no sentido único Norte com uma faixa de ônibus), as ruas Ribelinho/Amazonas/Navegantes no sentido Sule a Boa Viagem no sentido atual juntamente com as ruas dos Jardins. A supressão dos sinais de trânsito então não mais necessários nas ex-intercessões viárias da Domingos e da Conselheiro com a Herculano e a Antônio de Góes, substituídas pela retomada da fluidez contínua, a qual poderá ser otimizada com a substituição (simultânea ou posterior) dos 2 sinais de pedestre da Herculano Bandeira e do sinal de pedestre da Antônio de Góes, por Passarelas com escadas e elevadores, compostos em gradil industrial e protegidos da chuva e do sol, que podem vir a ser implantados por empresas publicitárias mediante concessões licitadas pela Prefeitura. Tornar-se-á prontamente desnecessária a alternância diária dos sentidos, que reconcentra e engarrafa. Outras medidas e providências completarão, com simplicidade, a eficiência desta reengenharia de trânsito, plenamente implantável durante duas semanas em julho próximo.

  Julho e dezembro de 1999, além de janeiro e julho de 2000, foram meses inicialmente recomendáveis para a implantação desta reengenharia. À época, toda resolução do trânsito nesta localidade tinha que, de qualquer maneira e em qualquer hipótese, passar pela implantação de um projeto de uma avenida que foi rebatizada de "linha verde" (nome de uma estrada baiana), que seria a panacéia - salvação derradeira e única do trânsito local. Isto vinha sendo massificado para o público, dono absoluto do bom senso, porém não necessariamente conhecedor dos meandros do assunto trânsito. Ademais, aparentou haver necessidade da inserção desse projeto no guia eleitoral para uma reeleição pretendida que se avizinhava. Portanto, aquela avenida "linha verde" (projeto equivocado nos diversos aspectos sócioeconômicos, viários, ambientais e mesmo empresariais) já perderia o sentido antes de prematuramente, se a reengenharia tivesse sido implantada naquela época e desde então resolvido com plenitude, evidência e rapidez esta problemática passageira do trânsito no Pina.

  A reengenharia em consideração será seqüenciada pela implantação de modernos equipamentos autoviários e metroviários compactos, com tecnologia do Século 21, como por exemplo a Ecovia Expressa Elevada (conjugada ao "Sistema 3ªPonte", Brasília/Santa Rita com a continuação da Av. Boa Viagem) e o "Métro" - Sistema Metrô Integrado Leve Elevado, os quais também foram assuntos de cerca de 30 apresentações e debates em universidades, congressos, associações, clubes e conselhos. São empreendimentos em trânsito e transporte, auto-sustentáveis nos mais diversos aspectos.

  Faz-se necessário aos que gerenciam o trânsito chamar para si as responsabilidades pertinentes e fazer o que há muito deveria ter sido realizado. A reengenharia está apresentada e a sua implantação é do interesse público inadiável.

Começaria tudo outra vez

Rivaldo Paiva

ESCRITOR

Constrangidamente pensando nisto, rogo ao meu caro Bivar e sua equipe não entoarem, pesarosos, o canto daquela dama de lilás, machucando o coração da grande nação rubro-negra, pois falta muito pouco para revirarmos as atuais circunstâncias que envolvem o grande sonho da conquista do hexacampeonato de futebol pernambucano.

  Mas não se desesperem. Caso venha a acontecer esta desconfortante hipótese, o deputado-presidente terá de começar tudo outra vez, reeleger-se tanto para o clube quanto para a Câmara dos Deputados. Um cronograma para o próximo ano está sendo montado, e seus fervorosos seguidores, cautelosos e mnemônicos, logo estarão em campo para contratar três seleções brasileiras, de uma só vez, para vestir a camisa da Ilha: uma juvenil, outra sub-20 e a principal - que disputará a Copa de 2002.

  O encanto precede o canto. O Leão rugirá tão forte que afugentará os ataques dos urubus famintos pela carniça de véspera, das patativas canoras de agouros noturnos, dos timbus traiçoeiros campanando buracos de tatus e das cobrinhas venenosas à espreita de lebres... E aí descansaremos no Éden do mais famoso esporte bretão.

A canarinho "vermelho-e-preta" titular ganhará os dois próximos campeonatos; a Sub vencerá os outros dois adiante (já estaremos no tetra outra vez); e a juvenil dará prosseguimento à esperança do hexa (podendo até chegar ao hepta consagrador).

  Portanto, voltaremos a viver outros 5, 6 ou 7 anos de glória. Emoções e comoções atreladas a risos e choros de alegria; a sede da Ilha do Retiro será tão grandiosa quanto a sede da ONU; soltaremos graça para todo o País, conquistando, seguidamente, pelo menos cinco Nordestões, três Brasileirões, duas Copas do Brasil, uma Libertadores e um, basta um, Campeonato Mundial de Clubes. Será a essência da conformação anunciada.

  É muita crise para um sofredor coração. Estou frustrado, mas como irredento rubro-negro, não me entrego - só depois do clássico de hoje (e que não seja o "canto do cisne").

  O Dia D chegou justo nesta quarta-feira. Basta que Zetti dê gritos como Leão, Gilberto sonhe com Bria, Érlon rememore o velho Tomires, Sandro Blum imite Ely do Amparo e Rondinelli saiba quem foi Nenzinho ou acerte o pé como Alemão; Leomar esqueça por 90 minutos a Seleção e jogue como Naninho, Valdo se lembre de Betancourt; que baixe em Sidney o espírito de Zé Maria e o novato Rodrigão leia sobre a raça de Djalma; que Rodrigo Gral encarne o nosso saudoso Almir e Leonardo volte a querer ser ele ou aprenda logo quem foi Traçaia. E, por favor, Hugo Benjamim, exija neste contrato de risco um encosto de Gentil Cardoso misturado com Palmeira. Que Bivar pense que é o velho presidente Severino Albuquerque ou Jarbas Guimarães, e Fernando Lima imagine ser um Leopoldo Casado, Galvão de Moura ou mesmo Homero Lacerda.

  Quem pede recebe, quem se desloca tem a preferência.

  Aí, quem sabe, tenhamos alguma esperança de, mais uma vez... Recomeçar.








 

 
 
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