(Atualizado no dia 24/05/2001)
 
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Carro

Setor de usados está bom para o consumidor

Retração do mercado revela oferta superior à procura no segmento de automóveis seminovos

Iúri Moreira
Da equipe do DIARIO

Há alguns anos, comprar carro zero era coisa para poucos privilegiados. Quem precisava urgentemente do automóvel, ou tinha uma renda mais baixa, recorria aos modelos usados. Embora alternasse momentos de alta e baixa, o mercado sempre se manteve equilibrado. De uns tempos para cá, porém; muita coisa mudou.

  A chegada dos populares e a disparada do dólar (em seguida as taxas de juros), além das facilidades oferecidas nos planos de consórcio e financiamento para carros novos mudaram a mentalidade dos compradores. A verdade é que ficou muito fácil comprar o zero quilômetro.

  O reflexo disso não poderia deixar de ser outro, a retração do mercado de usados. Há alguns anos, o setor mudou-os de nome, passando a chamá-los seminovos. Quem pode se segura, oferecendo promoções. Quem não pode está fechando as portas, ou procurando outras praias.

  "O mercado está ótimo para quem quer comprar, e péssimo para quem vende", afirma Ranieri Nogueira, proprietário da Disbrave Veículos. Para ele, o momento é ideal para quemestá pensando em comprar um seminovo. "Existe mais oferta do que procura. Por isso, os preços estão baixando".

  O X da questão, para Ranieri, é a propaganda ostensiva feita em cima dos populares 0km, a exemplo do Celta, além do caos econômico do País. Assim como Ranieri, Manuel Gonzaga Lemos, coordenador de vendas da Zona Sul Automóveis, empresa que integra o conglomerado Parceria do Automóvel, concorda: "Não temos como competir com uma propaganda que fala em juros de 0,99% para carros zero ".

  Leonardo Barreto, gerente de seminovos da BVA, pensa da mesma maneira. "Quando as pessoas vêem o preço do carro zero, só levam em conta o valor da prestação. Eles não lembram que é um carro completamente pelado nem pensam em quanto tempo vão ficar pagando aquele dinheiro, por um automóvel que vai estar depreciado depois de um ou dois anos".

FUTURO - Paulo Roberto, avaliador de usados da Afonte, é outro que não está muito animado. "A verdade tem que ser dita, o mercado está em baixa. De quatro meses para cá, registramos uma queda de 50% a 60%. Normalmente, trabalhamos com esperança no futuro, mas o horizonte não é nada bom", lamenta. A opinião de Paulo Roberto é compartilhada por Ranieri: "O futuro, do jeito que está se apresentando, não será dos melhores. A saída pode ser uma união dos comerciantes do setor, mas é difícil".

  Nem mesmo as garantias oferecidas para os veículos usados parecem seduzir os clientes. "A maioria das casas dá garantia de motor e câmbio; mas acontece de chegar um cliente reclamando que uma luz do painel deixou de funcionar, que deveria estar na garantia. Não dá para cobrir tudo", esclarece Leonardo Barreto.

  A saída para a crise também pode estar em outras praças. Almir Couto Júnior, conhecido no meio como Chumbinho, descobriu o filão da venda de automóveis importados para Brasília, e está muito satisfeito. "Lá, 60% dos habitantes são funcionários públicos ou políticos, todos com dinheiro sobrando e vontade de comprar", conta.

  O negócio é tão bom que, além dos BMW, Mercedes, Audi e Toyota que são comprados aqui para serem revendidos lá, Almir já começa a investir em lanchas e jet-skys. "O mercado está em ascenção, dá para todo mundo". Uma coisa, no entanto, é positiva nessa história toda. A crise está expurgando de uma vez o comerciante picareta. "Aquele sujeito que vendia carro em casa, enganando os clientes nos finais de semana, está em extinção. Hoje, só é enganado quem quer", conclui Leonardo Barreto.








 

 
 
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