Edição de Sábado, 19 de Maio de 2001
 
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Fudaj abre espaço para 3 filmes

São três filmes que, à primeira vista, não têm nada em comum. Um é ambientado nos 20 e traz um guitarrista de jazz egocêntrico. Outro aborda o último dia de 1999 do alto de duas favelas. E o último retrata a agonia de uma menininha que cansa de esperar a mãe na porta da escola e resolve ir embora. Mas o elo entre Poucas e Boas (pré-estréia hoje), Babilônia 2000 e O Espelho não está no que é visto, e sim no que reside por trás de cada uma das películas. Woody Allen, Eduardo Coutinho e Jafar Panahi são mais do que diretores; são pessoas que fazem cinema com conceitos próprios. São três nomes que ostentam a assinatura de autor.

  Se bem que, para o veterano Coutinho, do mítico Cabra Marcado pra Morrer, isso é relativo. "Essa coisa do autor único e milagroso não existe mais", sentencia o homem que capitaneou a "expedição" de cinco equipes ao morro da Babilônia. Ele diz que foi proposital a pulverização de câmeras digitais pelas favelas de Chapéu Mangueira e Babilônia. O resultado é a visão de gente humilde sobre a mística da virada de ano e sobre todas as coisas - sonhos, arrependimentos - que nisso se projetam.

  De todos os personagens retratados, o diretor destaca uma. "Dona Djanira, pessoa maravilhosa", louva Coutinho. "Morreu de câncer há uns dois meses", acrescenta. Talvez esse detalhe assuste quem ainda não teve o prazer de ver o filme. E os que já conhecem Babilônia 2000 vão lamentar, talvez pela alegria que a simpática senhora esbanjou em seu depoimento, mas com certeza pelas sábias considerações que teceu sobre a vida e os preconceitos enfrentados por quem vive na favela vizinha à princesinha do mar.

  

O ESPELHO - Não dá para discorrer muito sobre a trama desse filme exibido na Mostra Internacional de São Paulo em 1998. Um coisa, no entanto, pode e deve ser dita: O Espelho não merece o repúdio de quem despreza qualquer fotograma vindo do Irã só porque eles são iranianos. Jafar Panahi (O Balão Branco), assim como seus conterrâneos, trabalha com outro ritmo, outra temática, outra concepção de cinema. Para ele, o drama de Mina, a garotinha esquecida pela mãe, e a cruzada que ela empreende para achar sua casa, bastam para erguer uma narrativa na qual se fundem metalinguagem, ficção e realidade. O espelho dele não reflete o que somos, e sim talvez o que gostaríamos de ser.

  E o mestre Woody Allen chega com atraso de dois anos. Poucas e Boas, que vai entrar em cartaz no próximo sábado, alia a paixão do cineasta por jazz à sua habilidade de conseguir o melhor dos atores. Curiosidade: o título já está disponível em algumas locadoras na versão americada do DVD. Mas, convenhamos, é sempre bom apreciar um genuíno Allen (mesmo quando ele não é o protagonista) sentado de frente para a tela grande. (Luciana Veras)

Serviço

Poucas e Boas (Sweet and Lowdown, EUA, 1999). Direção: Woody Allen. Com Sean Penn. Horário: Hoje, às 22h20. 12 anos

Babilônia 2000 (Brasil, 2000). Direção: Eduardo Coutinho. Horário: Hoje, às 20h40. Livre

O Espelho (Ayneh, Irã, 1997). Direção: Jafar Panahi. Com Mina Mohammad Khani, Kazem Mojdehi. Horário: Hoje, às 18h40. Livre








 

 
 
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