Um medo irracional, exagerado, em resposta à exposição de certos objetos ou situações temidas. Esse é um dos transtornos de ansiedade mais freqüentes que o ser humano apresenta
Ter medo de bichos peçonhentos como aranhas e cobras é normal, mas se você acordar algum dia e não conseguir ir para o trabalho ou caminhar nas ruas por ter pavor de se relacionar com outros seres humanos, certamente você está precisando de tratamento médico. O medo é um sentimento normal de preservação, mas se ele começa a tomar proporções exageradas na vida da pessoa, atrapalhando até a sua rotina diária, profissional e pessoal, pode ser considerado uma patologia e, normalmente, classificado pelos médicos como fobia.
De acordo com a psiquiatra Maria Cláudia da Cruz Pires, a fobia geralmente leva a pessoa a ter um comportamento de esquiva da situação que causa medo. "Se um profissional precisa viajar, mas tem fobia de avião, ele vai fazer tudo para não ir. Ele pode procurar outro meio de transporte ou mesmo adiar a viagem", explica. O portador de fobia, seja ela qual for, sofre por antecipação. Uma pessoa com pavor de avião, por exemplo, tem taquicardia, tremores, transpira em excesso diante da possibilidade de viajar.
Medo de elevador e de falar em público também são algumas das fobias mais comuns. "Quando o medo começa a restringir a vida profissional e pessoal do indivíduo a ponto de causar prejuízos, é necessário tratamento", aconselha a especialista.
As fobias são mais comuns do que se imagina. Um estudo realizado nos Estados Unidos aponta que 25% da população apresenta transtornos fóbicos em alguma fase da vida (nada menos do que uma entre quatro pessoas). Entretanto, é importante ficar alerta para a diferença existente entre as fobias e a síndrome do pânico. "Na síndrome, a pessoa não tem consciência inicial do problema. Ela sente uma ansiedade muito grande que a leva a uma sensação de mal súbito. É um mal-estar agudo", diz Maria Cláudia Pires.
coração - De acordo com a especialista, geralmente as pessoas que têm crises são atendidas em urgências cardiológicas. "Se o paciente for medicado em um local onde existam profissionais treinados para lidar com o problema e o tranqüilizem, ótimo. Mas seele for levado para uma urgência onde só recebe sedativos, vai passar muito tempo achando que tem uma doença grave e que pode até morrer", explica. Segundo a psiquiatra, existem históricos de pessoas que passam até três anos procurando urgências cardiológicas achando que estão com problemas cardíacos, ao invés de procurarem tratamento adequado para a síndrome. "Tranqüilizantes só aliviam, não tratam a doença".
A fobia, por sua vez, também pode estar associada a outras questões, como a depressão, alcoolismo e uso de drogas. Em casos raros, os fóbicos também podem desenvolver crises de pânico. "Este problema dificilmente acontece com quem está em tratamento, pois um dos exercícios para enfrentar a fobia é justamente encarar a situação que a provoca", adianta a psiquiatra.
Serviço
Maria Cláudia Pires (psiquiatra) - 3423.3855