Estado judeu responde ao ataque bombardeando os territórios palestinos e matando nove pessoas
NETANYA - Um terrorista suicida detonou, ontem, uma bomba na entrada de um shopping na cidade de Netanya, ao Norte de Tel Aviv, provocando sua morte e de mais cinco pessoas. Outras 40 pessoas ficaram feridas. Em retaliação ao atentado, aviões de guerra F-16 israelenses bombardearam instalações da segurança palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza - pela primeira vez desde a Guerra dos Seis Dias, travada em 1967, matando nove palestinos.
Segundo testemunhas, o atentado ocorreu às 11h30. De acordo com um policial israelense, a bomba foi detonada pelo suicida Mahmoud Ahmed Marmash, um carpinteiro de 20 anos da Cisjordânia. O terrorista carregava uma sacola e tentou entrar no Shopping Center Sharon, que estava cheio no momento do atentado. Como os seguranças impediram que o homem entrasse no centro comercial, ele detonou a bomba na entrada, de acordo com as testemunhas.
A cidade de Netanya fica a apenas dez quilômetros de distância da fronteira de Israel com a Margem Ocidental. Essa fronteira não tem cercas nem muros e funcionários israelenses admitem que cerca de 20 mil palestinos atravessam a fronteira diariamente para trabalhar em Israel. Por causa dessa facilidade de acesso, a cidade também é um dos principais alvos dos terroristas palestinos.
ACUSAÇÃO - Os responsáveis israelenses acusaram imediatamente a Autoridade Palestina (AP) de Yasser Arafat da autoria do atentado, reivindicado em Ramalah, Cisjordânia, pelo movimento fundamentalista Hamas. Por sua vez, o secretário da presidência palestina, Tayeb Abdelrahim, afirmou que a AP condena o assassinato de civis inocentes, sejam eles palestinos ou israelenses.
Aviões de combate israelenses reduziram a escombros instalações de segurança nas cidades de Nablus e Ramallah, na Cisjordânia. Pelo menos nove palestinos morreram e dezenas ficaram feridos em Nablus. Motoniveladoras eram usadas para afastar escombros e ajudar na busca por desaparecidos. Em Ramallah, um homem foi morto.
A última escalada de violência parece ter enterrado as já então tênues esperanças de que israelenses e palestinos pudessem alcançar uma trégua e retornarem à mesa de negociação de paz. Recentes esforços diplomáticos se centravam nas recomendações de uma comissão internacional e em um plano de paz egípcio-jordaniano.
O presidente dos EUA, George W. Bush, falando depois do atentado à bomba mas antes dos bombardeios aéreos, disse que o ataque suicida havia levado a violência para um novo nível de intensidade. Bush afirmou que sua administração vai continuar trabalhando com os líderes da região. "Temos de romper o ciclo de violência a fim de dar início a discussões significativas sobre qualquer tipo de solução política", disse ele.
O grupo militante islâmico Hamas assumiu responsabilidade pelo atentado em Netanya e afirmou tratar-se do sétimo de dez ataques programados. Numa mesquita da Cisjordânia, ativistas do Hamas celebravam as notícias sobre o atentado distribuindo doces para os fiéis. O guarda de segurança Lior Kamissa disse que estava vistoriando sacolas de compradores naentrada quando o atacante se aproximou. Ele contou que já havia sido avisado por rádio da presença de uma pessoa suspeita na área.
"Eu olhei para ele nos olhos, e ele explodiu (a bomba)", afirmou Kamissa, falando de uma cama de hospital. "Eu não vi ele apertando nenhum botão, nada. Ele apenas explodiu e desapareceu. Vi um grande fogo e fumaça saindo daquele homem". A explosão chamuscou a entrada do Shopping Sharon e espalhou estilhaços de vidro por todo o piso. Dois corpos com membros decepados estavam jogados no chão em meio a destroços e objetos pessoais, assim como um carrinho de bebê.