Embaixador Graça Lima apresentou no Recife projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas
A preocupação com os impactos da Alca na economia regional foi a tônica do debate promovido pelo escritório local do Itamaraty com o embaixador Graça Lima. O embaixador é o principal negociador do Governo federal com outros países do continente na definição das regras que estabelecerão a Área de Livre Comércio das Américas. O grande receio de políticos, empresários e estudantes presentes ao evento, realizado ontem, está baseada na desigualdade de forças entre a economia brasileira e americana. Vários são os setores da sociedade que vêem nessa desigualdade a principal ameaça à sobrevivência de diversos setores da indústria nacional, a manutenção de empregos e de investimentos próprios.
O embaixador chamou a atenção para a pequena representatividade dos produtos nacionais no mercado internacional. Segundo ele, os artigos brasileiros representam pouco mais de 0,8% do total transacionado nos mercados globais. Essa movimentação seria responsável por apenas 13% do Produto Interno Bruto verde-amarelo, apesar de sermos a 8ªmaior economia do mundo.
"Com bons produtos e possibilidade de acesso aos mercados estrangeiros os empresários regionais não sofrerão com a Alca", disse. "Mas características regionais não podem se sobrepor nem definir os caminhos da negociação", completou. No processo de negociação desenhado pelo Itamaraty, entretanto, não há, segundo o embaixador nenhum estudo dos impactos da implantação da Alca no Nordeste nem em nenhuma outra região do País - Sudeste, Sul, Centro-oeste e Norte.
A posição foi defendida pelo embaixador depois das intervenções realizadas pelos empresários Edson Moura (um dos sócios da empresa Baterias Moura) e de produtor de açúcar José Ranulfo Queiroz Neto, ex-presidente do Sindaçúcar.
Contundente, Moura inquiriu o embaixador quanto às dificuldades de o setor industrial competir em pé de igualdade com o americano e canadense, tanto por causa das diferenças tecnológicas quanto pelos juros bancários que impedem investimentos.
Queiroz Neto lembrou que os industriais do açúcarenfrentam pesadas barreiras tarifárias e sanitárias nos mercados americanos e mesmo na Europa. O objetivo dos trabalhos conjunto de negociadores de todos os países das Américas envolvidos é a definição das regras que permitirão a circulação de mercadorias em todos os países sem barreiras tarifárias e não tarifárias, e com a extinção de subsídios.
O prazo para que a Alca comece a ser implementada é o ano de 2006. Em janeiro de 2005, o acordo deverá estar pronto para ser aprovado pelos congressos dos respectivos países envolvidos e referendado.